Sigam-me: oportunidades abertas no convite de Jesus

Posted by Davi Lago in VIDA CRISTÃ

pescadores homens

Por Davi Lago

E disse Jesus: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens” (Mateus 4.19)

Jesus está sempre em movimento nos evangelhos. Ele caminha por montes, vales, desertos sempre fazendo o mesmo convite: “Sigam-me”. Em seu jornadear, repetia o convite: “Sigam-me”. Através dos séculos, e ainda hoje, Jesus nos convida para uma vida diferente: “Sigam-me”. Um convite simples, direto, incisivo: “Sigam-se”.

A partir daquele convite específico feito aos primeiros discípulos, em coerência com o restante do ensino bíblico, podemos extrair lições valiosas sobre o que significa seguir Jesus de Nazaré.

“Andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Eles estavam lançando redes ao mar, pois eram pescadores. E disse Jesus: ‘Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens’. No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram” (Mateus 4.18-20).

1. Movimento: Jesus propõe uma marcha

Jesus nos convida a andar: “Sigam-me”.

Jesus nos tira de um imobilismo crônico, do comodismo, da vida rasa, da aceitação passiva do status quo espiritual. Jesus apresenta uma nova maneira de viver, um novo destino a ser trilhado, de volta para a presença de nosso Deus Criador através de “um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo” (Hebreus 10.20).

Antes de Jesus estávamos “sem esperança e sem Deus no mundo” (Efésios 2.12). Sem Jesus apenas toleramos a vida, amesquinhamos a existência. Seguimos um script previsível: estabilidade, segurança, satisfação.

Jesus nos convida a andar! Ele propõe uma marcha, uma caminhada. Jesus é aquele que faz as coisas andarem, as pessoas percorrerem suas vidas, as nações se desenvolverem, a História ter sentido.

O convite é simples: é só seguir Jesus. É começar a andar logo atrás dele. Caminhar e não o perder de vista. Ele sabe o que faz, ele é o próprio Deus.

No início não há complicação alguma, confusão nenhuma, é só segui-lo.

Sigamos a Cristo! O Caminho é nossa morada, Jesus é nosso caminho. Somos peregrinos neste mundo. Deus nos chamou para seguirmos Jesus. Como o apóstolo Pedro escreveu, Jesus “Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos” (1Pedro 2.21).

Como disse Santo Agostinho: “Prefiro me arrastar pelo caminho do que correr fora dele”.

Afinal, de que adiante correr, se você estiver no caminho errado?

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolver, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12.1-2)

2. Relacionamento: Jesus propõe uma conexão

Jesus nos convida a um relacionamento com ele: “Sigam-me”.

Simplesmente basta andar após ele. É ir atrás dele. Jesus diz: “Sigam-me”.

É um convite para estar com ele, conhecê-lo de perto, andar nos passos dele, observar como ele é. Jesus não é uma ideia ou conceito. Jesus é uma pessoa. Jesus é Deus, Deus encarnado, Deus pessoal, Deus que fala, sente, ama, perdoa, salva. Jesus é o Deus verdadeiro.

É um convite para ter uma amizade com o próprio Jesus: “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido” (João 15.14-15).

O projeto de Jesus não é que você simplesmente o visite ocasionalmente, mas que você esteja ligado a ele, que você habite nele. “Se alguém está em Cristo é nova criatura” (2Coríntios 5.10). Precisamos estar “em Cristo”.

Se estivermos devidamente conectados com Jesus, e humildemente trilharmos o caminho atrás dele, reconhecendo sua absoluta superioridade, poderemos perceber a grandiosidade da mensagem do evangelho. Só então entenderemos que Jesus não é uma tendência, ele é a Verdade. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14.6).

Devemos estar conectados com Jesus! Por isso, precisamos conhecer nossas Bíblias. Ter uma Bíblia é diferente de ler a Bíblia.

Conforme cresce o nosso conhecimento de Jesus, cresce a nossa fé, o nosso amor, o nosso louvor. Cresce também nossa semelhança com ele na medida de nossa obediência. “Vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício…” diz o texto de Efésios. Conforme lemos as páginas dos evangelhos, aumenta a nossa compreensão desse amor de Jesus. Passamos a entender melhor como o amor é caro, como ele custa e como ele é recompensador.

Deus não se impressiona com quanto sabemos, mas se alegra com o quanto obedecemos.

3. Transformação: Jesus propõe mudanças na sua identidade

Jesus nos convida para uma transformação: “eu os farei pescadores de homens”.

A caminhada nos leva a um relacionamento, esse relacionamento nos leva a uma transformação. Jesus não quer simplesmente uma multidão que anda atrás dele, ele quer discípulos, aprendizes, pessoas dispostas a serem lapidadas, forjadas, refeitas por ele.

Jesus convidou aqueles pescadores para uma mudança a partir de sua própria identidade: eles seriam transformados em “pescadores de homens”. Eles já eram pescadores, mas agora seriam aprimorados. É interessante notar que Jesus não diz: vocês serão “carpinteiros”. Jesus não anula a nossa essência, a fé cristã aponta para a continuidade da pessoa, porém uma continuidade histórica regenerada. O evangelho aponta para uma experiência de ressurreição, não de reencarnação ou aniquilamento. A partir de nossos cacos, somos refeitos por Deus. Como um vaso na mão do oleiro.

O carpinteiro é Jesus, ele é o artesão. Repare que é o próprio Jesus quem realiza essa transformação: “eu os farei”. A salvação não é obra de seres humanos, é obra do próprio Deus. “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9).

Essa transformação veio através da morte de Jesus na cruz. Ele morreu na cruz pela nossa salvação completa!

Foi Deus quem nos criou e quem nos recriou através de Jesus. E Ele nos transforma para sermos também transformadores! “Porque somos criação de Deus realizadas em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2.10). Somos transformados para transformar! De pescadores de peixes, para pescadores de homens.

Quando morreu na cruz Jesus pagou o preço pela nossa transformação. Em sua ressurreição sua vitória se apresenta incontestável. No passado fomos transformados na cruz (justificados). No presente devemos viver de modo transformado (santificados). No futuro seremos ressuscitados com Jesus Cristo, teremos um corpo glorificado como o dele (glorificação). A transformação envolve todas as áreas da nossa vida, em todos seus tempos.

Devemos então viver de modo transformado, devemos ser parecidos com Jesus. Cristo precisa ser mais evidente em nós! “Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus” (Efésios 5.1-2).

Jesus explicou com discursos e demonstrou com ações que tipo de vida devemos viver. O sermão do monte, por exemplo, registrado no evangelho de Mateus, capítulos cinco a sete, é uma poderosa mensagem sobre a prática da vida cristã. Devemos ser misericordiosos, amorosos, resolutos, honestos, fiéis. Tudo isso não baseados em nossa própria capacidade, mas na capacidade de Jesus. E ele deixou o Espírito dele sobre nós: O Espírito Santo nos capacita a viver como Jesus viveu. “Deixem-se encher pelo Espírito” (Efésios 5.18).

O evangelho é um convite para uma vida transformada: um novo caráter, novos desejos, novas motivações. Um novo modo de ser, falar, viver. Quando caminhamos com Jesus, somos transformados por ele. E esse é o propósito da nossa vida: nos tornarmos parecidos com Jesus Cristo. O objetivo de Deus é que sejamos “conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8.29).

4. Missão: Jesus propõe um novo rumo para sua vida

Jesus nos convida para uma missão: “eu os farei pescadores de homens”.

Ao ser transformado por Jesus, altera-se também o sentido da sua vida, o rumo da sua existência. Será que vida é só comer para trabalhar, trabalhar para comer, comer para trabalhar, trabalhar para comer, num ciclo insuportável, rotineiro, tedioso?

Jesus nos revela que não! A vida é muito mais que isso! Jesus redimensionou o sentido da vida humana. Jesus veio nos transformar em pescadores de homens, veio nos ensinar que o ser humano tem muito valor.

Jesus veio reorientar nossa visão. O cristão é aquele que para de murmurar: “quem vai me ajudar hoje?”, e passa a dizer: “quem eu vou ajudar hoje?”.

A primeira palavra de Jesus para seus discípulos no evangelho de Mateus foi: “sigam-me”, e a última foi: “vão por todo o mundo”. Jesus quer que todos seus discípulos convirjam nele, e também que se espalhem em todas as direções, por toda a parte, por todo o mundo fazendo novos discípulos.

Nós nos tornamos a extensão da obra de Jesus, nós continuamos seu trabalho hoje. Por isso somos chamados de “corpo de Cristo”. A igreja é o corpo de Cristo, a continuação de sua obra hoje.

“No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram”.

Aqueles pescadores realizaram uma ruptura imediata.

Seguir Jesus envolve esse abandono inicial das redes. Mas logo, no curso da caminhada, haverá um aprofundamento da decisão. Jesus chega a dissuadir muitos que o seguiam apenas por oba-oba. Seguir Jesus de verdade exige um alto preço.

“Jesus dizia a todos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9.23).

Como afirmou o apóstolo Paulo: “considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo” (Filipenses 3.8). Ele foi contundente: perto de Cristo, tudo o mais na vida não passa de esterco!

Cristo é nosso bem supremo.

Mais do que acrescentar dias à nossa vida, Jesus veio acrescentar vida aos nossos dias. Através de um movimento que conduz à um relacionamento, que leva à transformação, que leva a uma nova missão!

“Um palácio sem Cristo é um inferno, uma masmorra com Cristo é o céu” disse Lutero, “se tivesse mil vidas, entregaria todas elas a Cristo” disse David Brainerd.

Conforme Colossenses 2.6-7: “Portanto, assim como vocês receberam a Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão”.

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