Conselhos aos jovens: as verdadeiras flores não são de plástico

Posted by Eliandro da Costa Cordeiro in VIDA CRISTÃ

flores de plastico

Por Eliandro da Costa Cordeiro

Textos: Eclesiastes 12:1-14; 11:1-10.

A juventude pode ser tão bela e tão efêmera quanto a primavera e trazer consigo somente a nudez do cinza outonal e os arrepios da velhice cujo tempo surrou sem compaixão, se não se entender o sentido da vida está em Deus.

Talvez pareça ser essa uma ideia um tanto pessimista da vida, mas não menos real para muitos jovens desde os tempos mais isolados. Uma música da MPB já dizia que “o tempo não para”. Fato é que, o tempo nem o homem mais rico do mundo pode comprar; a morte não o vende. Salomão tira as flores que enfeitam o jardim da juventude e procura mostrar aos jovens que sua beleza não sustenta suas raízes. Um olhar de alma aberta em Eclesiastes nos mostra a fragilidade da vida humana. Um dos objetivos deste livro está o de demonstrar ao jovem a insegurança desta vida. Trata-se de um conselho do já velho Salomão aos jovens.

Aquele que estuda Eclesiastes pode ficar confuso, pois não parece terem muitos pontos que encorajam a viver uma vida de fidelidade a Deus. Pelo contrário, o pregador parece afirmar que a vida é destituída de significado “[…] vaidade, vaidade[…]. ” É a morte a grande niveladora de toda a indiferença e diferença entre os homens. Assim, Salomão diz: “Goze a vida, pois, isso tudo Deus lhe oferece.” O pregador parece antecipar a filosofia de Sartre, filósofo francês, ao demonstrar que a vida mais se parece a “uma bolha vazia rumo ao mar da inexistência”. Aliás, o termo hebraico para vaidade é hãvel, que significa ‘vapor, sopro ou bolha’.

Por que, pois, Eclesiastes está na Bíblia se aponta a existência humana como pura vaidade? A resposta é que está ali como realce, isto é, como contraste com o que o restante das Sagradas Escrituras ensina. Funciona como antítese. Os capítulos 11 e 12 do Livro são exatamente esse contraste e dá ao leitor esta advertência: “Teme a Deus […] porque Deus trará juízo […]. ”  Trata-se de um lembrete aos jovens que, na força da vida, se esquecem que o tempo não para, nem as mudanças no homem. Haverá um momento em que, para muitos, a vida será melhor vivida se olhada para trás, onde se foi forte e ‘feliz’.

Ora, ler esses capítulos de Eclesiastes poderá suscitar duas reações no leitor: (1)- a vida realmente não tem sentido; morreu, acabou! (2)- a vida é breve demais, mas complexa demais para não ter sentido. Portanto, deve haver um propósito na minha vida cuja a minha vaidosa existência aponte e me faça querer vivê-la da melhor maneira possível! A segunda reação é a que Salomão quer provocar em seus leitores.  O capítulo 11 fala das oportunidades que o homem deve saber aproveitar e o 12 reforça tal ideia ao ensejar que ao se lembrar de Deus enquanto jovem poderá evocar ao homem, quando velho, uma lembrança agradável na velhice. É como se o pregador dissesse: “Lembrança teremos sempre, mas de nada adiantará tê-la fora da oportunidade cedida por Deus.”

Por quê o jovem deve se lembrar do Criador, agora, enquanto goza a força da vida? Há pelo menos três conselhos a serem ouvidos para que ao lembrar-se do Criador na velhice, o jovem não lamente não ter se lembrado Dele na juventude. Considere o primeiro conselho como um imperativo:

1- Não permita que o tempo o engane: saiba aproveitar as oportunidades (12:1; 11:1-8):

O capítulo 12 de Eclesiastes está ligado ao anterior, onde se aborda a noção das oportunidades oferecidas pelo tempo aos homens. Salomão, volve os olhos cansados pelos dias e percebe que o tempo nem sempre é amigo. Ele tem o poder de enrugar faces e almas, matar sonhos, criar revoltas, endurecer corações… O tempo é o mesmo a todos os homens e o que lhes torna favorável em sua existência é o modo com o qual os homens utilizam as oportunidades (Ecl.11:4-6). Às vezes, as oportunidades são como cavalos selvagens que devem ser laçados se o quisermos montar. É a oportunidade um elemento útil, não contra o tempo, mas sim, para viver o tempo sem a nostalgia que torna os mais velhos em “iludidos jovens”. Isto porque o único contentamento que este homem há de ter é o seu passado que, em nada modificará o futuro. Salomão diz que esse nostálgico homem não terá contentamento no presente (12:1c). O pregador nos leva a pensar em quantos sofrem, hoje, porque não souberam a oportunidade em tempo oportuno. Não laçaram o cavalo selvagem da oportunidade apostando em sua juventude e, o tempo passou e levou junto com ele a força, o sonho e o prazer pela vida!

É com esmero que o rei de Israel aconselha. Usa elementos da natureza em sua didática como recursos que levarão os seus leitores à compreensão prática da vida jovem (12:2). Esses elementos naturais representam muito bem o estado da almo dos homens. Segundo A.N. Mesquita,  lua e estrelas são sinônimos de alegria, enquanto, nuvens prenúncio de temporal, tempestades. Ah, se todos os ias fossem de sol praiano, céu de brigadeiro e lua cheia! O esplendor da vida! Mas o tempo é o desestabilizador daquilo que o homem se ilude como perene. Ele é capaz de tornar o que se vê como belo na vida em desagradável ausência (12:3-5): dentes, olhos, forças, música, aves… podem perder a beleza.

Salomão admoesta aos jovens que a juventude dura exatamente o seu ciclo natural e não mais, ainda que haja aqueles que se neguem envelhecer (Ecl.7:10; 8:8). Mas a cerca disso, segue-se um segundo conselho:

2- Não passe a vida na inútil luta de parar o futuro ( 12:1b- 6):

O problema com o futuro é que ele se torna presente, o presente passado e, o passado já não volta mais (Ecl.7:10). Esta realidade poderia levar o homem a se perguntar: no que me adiantaria trazer Deus à memória num mundo de representações e efemeridade, onde nada dura para sempre? Se lido atentamente Salomão, observa-se que mesmo num mundo onde tudo parece apontar para o nada,o homem pode desejar mover-se com satisfação na vida. Nessa vida onde nada dura para sempre, Salomão aponta-nos que Deus estabeleceu cada detalhe presente em todas as suas vicissitudes. Se “tudo Ele fez formoso” (Ecl.3:1-15), o futuro é só mais uma parte de seus planos, dentro dos quais o homem é peça fundamental. Em todos esse ‘caos existencial’, o rei vê motivos para desejar viver mais e, não menos ( Sl. 37:23-40; 90:12).

Ora, se a juventude é primavera (Ecl.11:10), qualquer outra estação, isto é, fase da vida, há de passar também. Mas, por que Salomão compara a juventude à primavera? (1) É a estação onde a vida apresenta-se bela. Tal a beleza das flores, assim é a da juventude; (2) antagonicamente à beleza floral está a fragilidade de sua existência (Sl:103:14-16; I Cor.7:36).  Mas fato é que, quando criança, desconhecemos o tempo. Quando adolescente, não o tememos; quando mais maduros, acreditamos que por força o venceremos; quando mais velhos, sentimo-nos enganados por ele. Tentamos agarrar o tempo e fazê-lo voltar, mas, cabe-nos apenas o consolo das boas lembranças. E que lembranças teremos do futuro no nosso passado se, agora, não trazemos Deus conosco?

Vivemos num mundo onde perder a sua beleza, embora seja certa, é algo inaceitável! As enfermidades e problemas da vida já não são mais tão facilmente superados quando jovem. Salomão aponta para a realidade do medo da solidão, fraqueza física (12:4). Geralmente, nos lembramos que os conselhos são bons quando já estamos prontos para aconselharmos, isto é, já vivemos o suficiente.

3- Não acredite que o conhecimento (sabedoria) é tudo o que você precisa para se realizar (7-14):

Os jovens têm um mundo novo se abrindo diante deles e, muitos são levados à ilusão de poder manipular o novo mundo mediante as ferramentas do saber. É verdade que Deus colocou no coração do homem o desejo pelo conhecimento, mas não é correto que o homem se realizará plenamente nele. O mundo continua cheio de mistérios não desvendados, pois, os homens não vivem o tempo suficiente para conhecê-los (Ecl.11:5,8). Daí que, não será a busca subjetiva por seus objetos de satisfação que o jovem se realizará. Ninguém se realiza sozinho, uma vez que a humanidade sofre na busca por respostas ao mistério de sua existência. Salomão diz ter trilhado esse ‘caminho de academicismo’ e se frustrado (9:1; 12:12). O que fazer então?  O pregador indica, por experiência própria, o caminho:

1- Cabe ao jovem abandonar a auto-suficiência, não depositar confiança exacerbada na própria capacidade. Um dos problemas com o pecado é fazer com que o homem pense ser além do que realmente é (Sl 131:1-2).

2- O jovem deve aprender a discernir as convicções humanistas, pois podem levá-lo a encarar a vida como sem graça (Ecl. 2:1ss; 7:29; 9:1,2). Foi Protágoras, filósofo pré-socrático quem disse ser o homem a medida de todas as coisas, mas e quando este perde a medida de si mesmo? O rei Salomão em toda a sua obra esboça a sua intensa busca por significado de sua própria existência a partir de um viver egoísta. Entremente, procura mostrar que a vida por si mesma não oferece a chave para o seu próprio significado (Ecl.3:19,20). Por que mesmo com tanta sabedoria o rei acha a vida chata (Sl.42:1,2)?  Agostinho de Hipona já dizia que a necessidade real do homem só se encontrar em Deus: “Tu nos fizestes para Ti, e nossas almas não encontrarão descanso enquanto não voltarem para ti. ”

Assim, pode-se afirmar que o homem por si mesmo não pode ajuntar o quebra-cabeça de sua vida (11:1-6). Ele anseia saber fazer tudo se encaixar. Mas cego pelo pecado, o máximo que consegue é se agarrar àquilo que se lhe parece seguro (At: 17:26-28; Rm.1:20-23).

3- Os benefícios da sabedoria não são suficientes para livrarem os homens do vazio (Ecl.2:1ss). Quem nos aconselha a lembramos do Criador é o homem mais sábio do mundo! Ele fala do uso de sua sabedoria: “plantei, construí, fiz, trabalhei, descobri… De repente, a sabedoria deste homem ergue a cabeça e grita: Toda essa vida que você está levando é vaidade! Salomão procura, então, levar o jovem ao propósito de sentimento de uma vida para o nada. A futilidade da vida deve levar-nos à busca de sua razão em Deus. Somente quando alguém começa a temer a Deus é que começa a perceber a unificação da verdade, a compreender o sofrimento, as estações da vida humana.

De que forma isso se aplica à vida do jovem?  É na lembrança de Deus que se encontra força, alegria e razão para não se ver a vida como caos, bolha vazia ou vaidade. A vida sem Deus não vale nada. A satisfação nesta vida tem o seu ápice nas Palavras de Cristo (Mt. 6:33; 16:26; Jo. 6:66-69) e não na crença de que somos capazes de suprir as nossas necessidades existenciais por nós mesmos.

Ora, o que Salomão esboça no fim de tanta vaidade é que, a cosmovisão compreensiva e o pleno desfrutar da vida é impossível sem o conhecimento do Criador (2:25). Por isso, deixa o conselho aos jovens, porque as flores não são de plástico.  Somente “as flores de plástico não morrem”.

Só a Deus Glória

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