Breve panorama sobre As Cruzadas

Posted by Jean Seifert in RELIGIÕES

ASCRUZADAS

Por Jean Seifert

As Cruzadas foram movimentos militares cristãos em sentido a Terra Santa com a finalidade de ocupá-la e mantê-la sob domínio cristão, ou seja, um movimento de luta contra o inimigo da fé, isso porque os cruzados cristãos tinham como um dos objetivos recuperarem a Terra Santa das mãos dos infiéis, enquanto árabes islâmicos esperavam alcançar uma união entre seus diversos líderes e rechaçar os invasores ocidentais (FRANCO JR, 1984).

Após o discurso do Papa Urbano II, muitos homens se decidiram em fazer o voto de cruzado, mas nem um padre poderia partir sem a permissão de seu superior e nem um recém-casado sem o consentimento de sua esposa, pois a partir do momento que se realizava o voto, não haveria mais volta e quem não o cumprisse seria excomungado.

A repercussão do discurso do papa foi tão grande que reuniu inúmeros homens da alta sociedade.

Reunido Godofredo de Bulhões, o duque da Baixa-Lotaríngia (Lorna) e seu irmão Balduíno de Boulogne; Hughes de Vermandois, irmão do rei da França, Felipe I, com cavaleiros Franceses e da Champanha, além do grupo conduzido por Roberto da Normandia e por Étienne de Blois. Ao escutar as novas sobre a partida de toda essa gente para o Oriente, Bohemond, o filho de Guiscard, decidiu também se tornar cruzado e atravessou o mar Adriático á frente de um pequeno exército (MORISSON, 1940, p. 25).

Os papas, ao convocarem os fiéis para lutar contra os infiéis, foram os incentivadores desse movimento, por isso foram vistos como os “líderes” das forças cristãs. Mas na verdade, os papas estavam longe demais da Palestina para terem alguma liderança sobre aqueles exércitos. A liderança papal estava sendo construída nos tempos das Cruzadas.

Antes disso, no século VII surgiu no Oriente Médio uma religião também monoteísta, que reuniria muitos adeptos com o passar do século. O Islamismo foi propagado através do profeta Maomé e o seu crescimento criou grandes embates com o cristianismo. No final do século XI, a religião já havia se tornado grande o suficiente para clamar por seus lugares sagrados, que, no entanto, eram coincidentes com os lugares sagrados dos cristãos. A cidade de Jerusalém é o principal local sagrado para essas duas religiões monoteístas e também para o judaísmo. A ocupação da cidade e das regiões próximas que compõem a chamada Terra Santa foi motivo de muitos conflitos entre essas religiões na Idade Média e ainda é uma das causas da instabilidade no Oriente Médio (JUNIOR, Infoescola).

O termo Cruzada não era conhecido na época em que ocorreram.

O termo “cruzada” é raro e recente: não aparece no latim medieval antes da metade do século XIII e seu correspondente árabe (hurub assalibiyya = a guerra pela cruz) data somente de 1850. (MORRISON, 2009, p. 1).

Só foi recebeu este nome porque seus membros declaravam ser  soldados de Cristo e se apresentavam pela cruz em suas roupas. Na época em que ocorreram, eram chamadas de peregrinação ou de guerra santa pelos europeus. No Oriente Médio, contudo, eram chamadas de invasões francas, em função da maioria dos cruzados serem provenientes do Império Carolíngio e de se autodenominarem francos.

Conforme Morrisson (2009), no entorno do ano 1000 houve um significativo crescimento das peregrinações de cristãos a Jerusalém, pois os cruzados acreditavam que o fim do mundo estava próximo e, por isso, faziam sacrifícios e buscavam as terras sagradas para evitar a eternidade no inferno. O mundo não acabou e os muçulmanos ocuparam cada vez mais a Terra Santa, criando grandes impedimentos para o trânsito de cristãos. A situação se agravou no decorrer do século XI e irritou os cristãos, que se reuniram para a primeira expedição militar que os levaria à Terra Santa para tentar expulsar os muçulmanos da região e devolvê-la aos cristãos. Entre os anos 1096 e 1270, muitas expedições – as então chamadas Cruzadas – foram organizadas para tentar reconquistar Jerusalém, porém os muçulmanos se mantiveram firme na região após vários conflitos.

O objetivo de conquistar a Terra Santa foi um fracasso para os cristãos, custaram caro para os nobres europeus e ocasionou muitas mortes. No entanto, essas jornadas levaram a inúmeras transformações no mundo medieval pois enfraqueceram a aristocracia feudal, fortaleceram o poder real e trouxeram a possibilidade da expansão do mercado. A civilização oriental trouxe muita contribuição para o enriquecimento cultural europeu, pois promoveu o desenvolvimento intelectual da sociedade. Jerusalém nunca mais foi dominada pelos cristãos, mesmo assim as movimentações ocorridas no trajeto para a Terra Santa expandiram os relacionamentos com o mundo conhecido na época.

REFERÊNCIAS

FRANCO JR., Hilário. As Cruzadas. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1984.

JUNIOR, Antonio Gasparetto. “As Cruzadas”, Info Escola. Disponível em: http://www.infoescola.com/historia/as-cruzadas. Acesso em 11 de novembro de 2015.

MAALOUF, Amin. As Cruzadas vistas pelos árabes. São Paulo: Brasiliense, 2001.

MORRISSON, Cécile. Cruzadas. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

WILLIAMS, Paul. O guia completo das cruzadas. São Paulo: Madras, 2007.

 

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