A teologia da desmitologização de Rudolf Bultmann

Posted by Maurício Montagnero in REFLEXÕES TEOLÓGICAS

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Por Maurício Montagnero

A teologia da desmitologização faz parte de uma estrutura teológica elaborada pelo teólogo alemão Rudolf Bultmann, que propõe que há mitos contidos na bíblia que devem ser interpretados existencialmente, isto é, como é que os mesmos ajudam no crescimento da minha existência. Além disso, eles devem ser vistos como figurados e não literais, ou seja, eles não ocorreram realmente, porém estão escritos para uma compreensão do ser como tal.

INTRODUÇÃO

O estudo da teologia da demitização/desmitologização (doravante desmitologização) de Rudolf Bultmann é necessário ser realizado pelos seguintes motivos: (1) É um fator histórico, e como qualquer outro deve ser estudado e ensinado; (2) É uma forte corrente teológica, e por isso merece a atenção de quem estuda teologia, mesmo que aceite ou não seus pressupostos; (3) Para os que não aceitam, têm que estudar para poder questioná-la e refutá-la; e (4) Sempre se deve ver de tudo e reter o que é bom.

Para realizar tal estudo e trabalho sobre essa teologia, o presente artigo será dividido de tal maneira: (1) Ver na história a sua nascente que foi em Rudof Bultmann; (2) Ver seus pressupostos e sua estrutura racional; e (3) Realizar uma análise apologética para tal teologia, pois o autor do presente estudo não aceita como uma teologia confiável.

DESENVOLVIMENTO

  1. História

Para conhecer a história dessa teologia, se faz necessário conhecer a história do expoente e do precursor da mesma, que é um homem chamado de Rudolf Bultmann.

Seu nome completo era Rudolf Karl Bultmann, um teólogo alemão da igreja Luterana, e grande estudioso do Novo Testamento que elaborou estudos que têm grandes influências até os dias de hoje. Nasceu na cidade de Wiefelstede, Oldenburg, em 20 de agosto de 1884. Ele era o filho primogênito de um ministro protestante da igreja Luterana, e, por conseguinte, foi criado em uma atmosfera religiosa. Bultmann estudou na escola primária de Rastede e, realizou seu ginásio e o liceu em Oldenburg, onde se destacou nos estudos das religiões, grego e história da literatura alemã. Após de ter realizado esses estudos (1903), ele partiu para a Universidade de Tubingen, e no próximo ano na Universidade de Berlim, e depois de dois anos para a de Marburg, lugar onde se licenciou em teologia (1910) com a tese “O estilo da pregação Paulina e a Diatribe Cínico-Estóica”. Após passarem dois anos se tornou livre docente com uma dissertação sobre “A exegese de Teodoro de Mopsuéstia”. Sua carreira docente foi iniciada em 1916, como professor na área de Novo Testamento, e foi por três décadas professor dessa matéria na Universidade de Marburg, onde se aposentou. Bultmann veio a morrer em 30 de Julho de 1976 na cidade de Marburg, então a Alemanha Ocidental. Foi vitima de várias doenças, dentre as quais a cegueira.[1]

Suas obras literárias são: (1) Jesus, publicado em 1926, interpreta o evangelho de maneira existencialista; (2) História da tradição Sinóptica, é uma pesquisa neotestamentária usando o método histórico-morfológico[2]; (3) Novo Testamento e a Mitologia, publicado em 1941, trata-se de um programa de desmitologização do Novo Testamento; (4) Das Evangelium des Johannes, publicado também em 1941, é considerada a mais famosa obra dele, onde criticou o evangelho de João e ensinou que para compreender a fé cristã primitiva deve-se conhecer as influências helenísticas, gnósticas e mandéias que estão por trás deste evangelho; (5) Teologia do Novo Testamento, publicado ao longo dos anos de 1948, 1951, 1953, pois foi escrito em 3 volumes, e é considerado a summa de seu pensamento; (6) O Cristianismo Primitivo no Quadro das Religiões Antigas, publicado em 1949, um tratado que instrui o leitor a conhecer o lugar onde nasceu o cristianismo, informando que o mesmo é derivado da religião de Israel, influenciado pelas forças espirituais do helenismo pagão, tem traços da história espiritual grega e é enriquecido pelas contribuições das religiões do Oriente Próximo; (7) Jesus Cristo e a Mitologia, publicado em 1958, emprega a desmitologização, a filosofia existencialista e a história como parte estrutural mítica da revelação; e (8) Glauben und Vertehen, foi publicado em 1948, que é uma coletânea de seus ensaios publicados.[3] Ainda existem outras obras publicadas por ele.

Não se pode ficar sem relatar sobre os indivíduos acadêmicos que influenciaram o pensamento de Rudolf Bultmann, para isso usam-se as palavras de Battista Mondin:

Seus mestres foram homens de clara fama liberal e de orientação histórico-crítica. Ele mesmo deixou a lista daqueles em relação aos quais sente-se particularmente devedor: em Tübingen, o historiador da Igreja Karl Müller; em Berlim, o estudioso vétero-testamentário Hermann Gunkel e o grande historiador do dogma Adolf Harnack; em Marburg, dois estudiosos do Novo Testamento, Adolf Jülicher e Johannes Weiss, e o teólogo sistemático Wilhelm Hermann. Foi a conselho de Weiss que Bultmann se orientou para os estudos de exegese neotestamentária… Na década de vinte, também ensinava em Marburg Martin Heidegger. Bultmann teve assíduos contatos com ele e assimilou com entusiasmo sua filosofia existencialista. Via nela o único instrumento filosófico apto a exprimir a mensagem cristã de um modo inteligível para o homem moderno.[4]

E de todos esses, o que maior influenciou Bultmann foi Martin Heidegger (1889 – 1976), sendo assim, será visto no próximo bloco o pensamento da teologia da desmitologização, porém, antes será resumido o existencialismo especificando a linha que é tomada em Martin Heidegger.

  1. Pensamento

Entendendo primeiramente o que é existencialismo, pode-se defini-lo como uma linha filosófica que reflete sobre a experiência pessoal, em sua liberdade que defini sua essência (natureza humana), isto é, como o ser vai vivendo e aprendendo, a sua essência vai sendo formada. Sendo a assim, a visão clássica de que a essência defini a existência é caída por terra. Quem segue essa corrente ensina que o homem tem sua realidade individual em sua existência cotidiana, vivendo com sua livre-escolha, que o torna a ser como tal, não sendo um mero objeto no mundo. Em suma, a existência precede a essência; e o significado da vida como o seu valor, é encontrado conforme a vida vai sendo realizada e acionada. Essa linha filosófica geralmente parte dos pressupostos ateístas, todavia existem os cristãos que adotam tal linha, tanto que existe a teologia existencialista (Rudolf Bultmann, Paul Tillich e Karl Jaspers são os maiores pensadores dessa teologia). Para encerrar a definição dessa linha filosófica se vê as “ênfases e contrastes do existencialismo” definido por Norman Geisler:

O existencialismo enfatiza a vida acima do conhecimento, o desejo acima do pensamento, o concreto acima do abstrato, o dinâmico acima do estático, o amor acima da lei, o pessoal acima do proposicional, o indivíduo acima da sociedade, o subjetivo acima do objetivo, o não racional acima do racional e a liberdade acima da necessidade.[5]

Essa linha filosófica no pensamento de Martin Heidegger (pioneiro com Karl Jaspers dessa linha no pensamento alemão) pode-se ser definida como o ser compreendido em suas relações no tempo e no espaço, com sua vivência real. Em seu livro “o ser e o tempo” e no seu escrito “Que é Metafísica?”, apontam o que é a existência, definindo que é “estar no mundo” temporariamente, construindo a sua essência (a essência consiste em existir), sendo essa para a morte (a última possibilidade do homem). Encarando essa verdade, que o ser é para morrer, o homem assume sua finitude (dasein) e desta forma pensa em si mesmo e, por conseguinte, pensa no ser. A preocupação última de Heidegger foi elaborar uma reflexão sobre a natureza do ser como centro do seu pensamento (ontologia). Apesar de seus estudos teológicos e filosóficos, Heidegger também tirou suas conclusões nos estudos fenomenológicos de Edmund Husserl.[6]

Visto o que é o existencialismo e sua linha no pensamento de Martin Heidegger, pode-se ver a construção teológica que Bultmann elaborou que foi a teologia da desmitologização.

A desmitologização é o nome dado ao método criado por ele, para uma interpretação neotestamentária. Foi apresentado em sua obra “O Novo Testamento e a Mitologia”, ensinando que alguns textos neotestamentarios só podem ser interpretados corretamente quando são tirados os mitos contidos neles. Uma vez realizado isso, pode-se chegar à verdadeira interpretação deles. O mito para Bultmann era:

O uso da linguagem pictórica para exprimir as realidades do outro mundo em termos deste mundo, o divino em termos da vida humana, as realidades do outro lado em termos deste lado’ Mas, no uso real, em seus escritos, o conceito é mais amplo. Um mito tornar-se uma espécie de termo coletivo para denotar um discurso teológico que ele reputava problemático… Também é usado para falar sobre conceitos neotestamentários que refletem idéias presumivelmente obsoletas, no campo cosmológico e teológico, como aquelas que falam sobre os anjos e os demônios.[7]

Portanto, se falar sobre Deus como alguém que intervém na história, torna-se um “mito”, logo, o Novo Testamento contém mitos, pois mostra textos da intervenção de Deus na história. Portanto, o nascimento virginal de Cristo, o túmulo vazio, a ressurreição e a ascensão de Cristo são tudo mitologia. Todavia, o mito não estava relacionado só a esses eventos, mas, também, a ética e aos pensamentos que o Novo Testamento passa. Dizia Bultmann ainda que a divisão do universo em três níveis proposto pelos escritos neotestamentários é uma visão do mundo antigo (a mitologia judaica e o gnosticismo helenístico), esse três níveis seriam: (1) O superior/invisível habitado pelos anjos e o mundo sobrenatural de Deus, que é o céu; (2) O nosso mundo que foi criado, que é a terra; e (3) O mundo inferior, que é escuro e habitado pelos demônios, que é o inferno.

Sendo assim como se deve interpretar os escritos neotestamentarios? A forma como se deve interpretar é entender o kerygma, isto é, a mensagem, conforme o tempo em que o mundo está vivendo, fazendo com que a mensagem se torne cada vez mais contextualizada ao mundo. Mas como se faz isso? Tem que usar três instrumentos para realizar tal tarefa, que seriam:[8]

1. A História: Não vista simplesmente como um amontoado de documentos antigos, mas, também, acontecimentos ocorridos que nos interessam, e trazem sentido à nossa existência. Para isso, não se deve olhar para os grandes personagens históricos, porém para as obras que esses personagens lutaram para conseguir, sendo elas conquistadas ou não. E um ponto essencial que se deve saber ao usar a história, é que não se chega a resultados seguros na sua investigação. Bultmann fazia uma distinção entre Historie e Geschichte, o primeiro se refere a fatos que podem ter investigação histórica, e o segundo se refere a fatos que não podem ter investigação histórica (por não haver documentos históricos), mas são temporais. Partindo desses pressupostos os escritos neotestamentarios são: (1) Históricos na conotação de Geschichte, ou seja, eles não passam por investigações históricas, pois não existem documentos confiáveis para tal investigação, porém eles ocorreram; (2) Esses escritos são interessantes para ajudar a achar sentido na nossa existência; e (3) Não se deve olhar para o personagem Jesus, mas para a obra que ele desejou realizar em nosso meio, e olhando para essa obra a nossa realidade existencial será preenchida de sentido;

2. A hermenêutica: Esse instrumento se aproxima do instrumento anterior em suas concepções. Nessa área foi elaborado um novo método exegético de interpretação, que é conhecido como histórico-morfológico (Formgeschichte).[9] Esse método se aproxima da ideia do método histórico-crítico da teologia liberal. A abordagem desse método (Formgeschichte) analisa o Jesus Histórico da seguinte maneira: (1) Pondera cada evangelho, (2) Separa seus elementos compostos de vários gêneros literários, (3) Os reagrupa novamente, e (4) Conseguem várias representações do Jesus histórico apresentados pela igreja primitiva, que foram elaboradas por cristãos diferentes pelas suas necessidades hodiernas. Logo, não tem nenhuma informação segura acerca do Jesus Histórico, mas informações das crenças da igreja primitiva, crenças essas que eram sincretistas, portanto se deve separar dessas crenças ao interpretar os escritos neotestamentarios nos dias de hoje. Para realizar tal método é bom usar o “Sitz em Leben”, que é o saber o momento em que a comunidade aparece nos relatos. Todavia, a partir do momento em que ele começou a utilizar a filosofia existencialista de Martin Heidegger, ele abriu mão de seu método exegético, e elaborou um principio chamado de “pré-compreensão existencial”, o qual ensina que não dá para tirar nenhuma afinidade essencial dos testemunhos históricos do passado, mas para compreendê-los se deve interrogá-los pessoalmente e ter um resultado existencial para o individuo, isto é, uma visão de nós mesmos e da nossa vida autêntica; e

3. A filosofia: Por a teologia ser um instrumento de inteligência da fé, deve-se usar a filosofia para se conservar. E a filosofia em si é uma pré-compreensão da vida, e a filosofia mais apurada para a pré-compreensão é a existencialista, pois é um desenho fiel da existência real, e a mesma não fica só em um campo da ciência, mas, também, da ação. Além disso, afirmou Bultmann que o existencialismo tem as categorias adequadas para desmitologizar os escritos neotestamentarios. Partindo daqui pode-se concluir o pensamento da teologia da desmitologização.

Em suma, nos escritos neotestamentarios há mitos elaborados pela igreja primitiva para a situação que eles estavam vivendo, e ao interpretar esses escritos hoje, os mitos não devem ser eliminados como tentava fazer a teologia liberal, contudo, devem ser encarados como um expressar do sentido da vida do homem, isto é, existencialmente e antropologicamente. Um exemplo de mito sendo interpretado existencialmente é a ressurreição, que não se refere ao fato de Jesus ter voltado a viver, mas de ter sido vivificado no coração de seus discípulos.[10]

O sentido e a forma estrutural dos escritos devem ser interpretados conforme cada geração estiver vivendo. Se uma geração for mítica, os escritos devem ser interpretados miticamente; se for científica, deve ser interpretado cientificamente; e se for metafísica, deve ser interpretada metafisicamente. E a mensagem da igreja primitiva foi mítica e metafísica onde pode ser visto, por exemplo, na divisão do universo em três níveis; os conceitos escatológicos; o mundo ser governado por seres demoníacos; e a intervenção do sobrenatural na história através dos milagres. Porém, para a geração moderna a interpretação deve ser cientifica.[11]

  1. Análise

Esse presente estudo se preocupa em analisar essa teologia de uma forma apologética. Por conseguinte, será visto os aspectos negativos e falaciosos que a mesma proporcionou para a teologia cristã, e dará uma resposta para tais aspectos.

1. Anular o sobrenatural: Bultmann quis submeter às questões sobrenaturais ao natural. Primeiro, o natural não pode explicar o sobrenatural (como o próprio nome indica), pois o mesmo não é realizado para especulações cientificistas. Segundo, o lugar onde o sobrenatural foi reduzido, como ainda é, foi onde não se vê o sobrenatural acontecer, porém vai para o mundo a fora e verá que empiricamente o sobrenatural é provado. Terceiro, só porque os milagres são realizados no mundo não quer dizer que eles precisam ser necessariamente do mundo. Vê o que Norman Geisler relata:

Bultmann supõe equivocadamente que qualquer evento no mundo deve ser do mundo. O milagre pode originar-se no mundo sobrenatural (sua fonte), mas ocorrer no mundo natural (sua esfera). Dessa maneira, o evento pode ser objetivo e verificável sem ser redutível a dimensões factuais. É possível verificar diretamente por meios históricos se o cadáver de Jesus de Nazaré foi ressurreto e observado empiricamente (as dimensões objetivas do milagre), sem reduzir os aspectos espirituais do evento a meros dados científicos. Porém, ao afirmar que tais milagres não podem ocorrer na história do espaço e tempo Bultmann está apenas revelando um preconceito naturalista injustificado e antiintelectual[12]

2. Intepretação hodierna: A fé na inerrância bíblica não se interpreta pelo tempo em que o individuo está vivendo, mas pelo tempo em que a mesma foi ocorrida. Quando surgi novos tempos essa fé passará por novas analises de pessoas que viveram anos e milênios depois do ocorrido. Tentar impor a sua forma de pensamento na construção do Novo Testamento é algo em que próprio Bultmann condenou os escritores neotestamentarios de fazer, e isso afetou o LNC (lei da não contradição) dele. Contudo, acredita-se que é mais válido crer naqueles que foram contemporâneos a esses eventos relatados do que as interpretações hodiernas e de Bultmann;

3. Limitação do Sagrado: Não tem como querer limitar Deus! Sugerir, impor ou tentar descobrir o momento em que Deus vai ou não se intervim na história é manipular alguém que não pode ser manipulado;

4. Desestruturar o pressuposto: Tentar desmitologizar a base do cristianismo que é os escritos neotestamentarios, faz com que o mesmo só se torne uma filosofia e não uma religião;

5, Negar duas realidades: Apesar de o cristianismo ser existencial, isto é, trazer sentido para existência humana ao longo da bíblia, ele não deixa de ser sobrenatural e mostrar a intervenção de Deus na história humana. Isto é uma falácia, a qual ensina que para algo ser alguma coisa, necessariamente não pode ser outra;

6. Questionar a história: Os escritos neotestamentarios fazem parte da história, sendo autenticados conforme o tempo e levados a sério. Desmitologizar esses escritos é desmembrar a história dele, algo que não tem mais como perpetrar. Lembrando que os eventos sobrenaturais contidos não são só históricos, porém mais que históricos, são também religiosos;

7. Errar analogicamente: Ao supor que os escritos neotestamentarios foram influenciados por fontes gnósticas e mandeías é um erro de tempo, pois as mesmas foram escritas posteriormente do Novo Testamento, sendo assim, elas que copiaram os escritos bíblicos;

8. Tornar tudo em vão: No decorrer de 1 Co 15 vê-se que Paulo ensina que o pressuposto principal do cristianismo é a ressurreição de Cristo, e se o mesmo não ressuscitou não tem porque crer nele. Anula-se esse milagre e todo o cristianismo cai por terra, como então querer permanecer em uma religião mesmo que seja existencial, se sua premissa é falsa? Além disso, a mensagem cristã se torna ininteligível;

9. Modificar e não invalidar: Além do individuo modificar seu ponto de vista para uma fé genuína e real através de uma interpretação que leva diretamente para isso, prefere invalidar algumas questões pelas suas ideias preconcebidas;

10. Ser uma antropologia: Quando coloca o ser – humano como o alvo principal do escritos neotestamentarios com interpretação existencial, anulando a intervenção do Deus, isso não é mais uma teologia, no entanto, é uma antropologia;

11. Tirar Jesus do foco: O Jesus Histórico elaborado por Bultmann não chama a atenção do povo e muito menos leva o mesmo para a salvação, pois tirando os seus feitos Ele se torna impotente; e

12. Cancelar o Antigo Testamento: Quando crê que os escritos neotestamentarios foram influenciado pelo gnosticismo e mandeísmo, tira a grande influência que o Antigo Testamento teve no Novo Testamento.

CONCLUSÃO

Não se pode negar o fato que essa teologia tem algumas contribuições e razões como, por exemplo: (1) Atribuir o valor ao ser que muitas vezes é deixado de lado pela imensa radicalidade doutrinária de alguns; (2) As ferramentas interpretativas concedidas para uma ampliação maior do estudo exegético das escrituras; e (3) Colaborou para um estudo das religiões do período neotestamentario, como o surgimento do Cristianismo, mesmo que suas conclusões sejam inaceitáveis para estudiosos comprometidos com a veracidade e inerrância da bíblia.

Contudo, essa teologia só trouxe propostas para o mundo acadêmico, no entanto, uma verdadeira teologia vai além; pois ela implanta novas igrejas, evangeliza e traz novas almas para Cristo através da atuação do Espírito Santo. Porém, espera o quê deles? Já que os mesmo não acreditam na confiabilidade bíblica.

Deve-se orar e estudar a palavra de Deus, através da iluminação do Espírito Santo, para poder se precaver de tal teologia. Apesar do seu pouco porcentual de contribuições e razões, ela é perigosa e devastadora. Diante disso é interessante usar as palavras do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses em sua primeira carta, no capitulo 5 versículo 21: “Examinai tudo. Retende o bem.”. No caso dessa teologia, é o mínimo que se pode reter. O restante deve-se jogar fora, para poder cumprir o versículo 22: “Abstende-vos de toda aparência do mal.”.

NOTAS

1 MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2,  p 115 – 117; ___________________Biografia de Rudolf Karl Bultmann. Disponível em: <http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3050.html>.

2 Esse método é conhecido em alemão como “Formgeschichte”. Podendo ser traduzido ainda como Crítica da Forma e História da Forma.

3 MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2,  p 116 – 119; ___________________Biografia de Rudolf Karl Bultmann. Disponível em: <http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3050.html>.

4 MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2,  p 116.

5 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 1999, p 332 – 333.

6 EVANS, Stephen C. N. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. Tradutor Rogério Portella. São Paulo: Vida, 2002, p. 64 ;Enciclopédia de Filosofia. Sapadix Software.

7 CHAMPLIN, R.N; BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Volume 2. São Paulo: Candeia, 1995, p. 43.

8 MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2,  p 119-130; BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã – um esboço desde a Idade Média até o presente. 2° Edição. São Paulo: Vida Nova, 2007, p. 160.

9 Conhecido também como crítica da forma e crítica histórica.

10 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 1999, p 582.

11 MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2,  p 131; ALMEIDA, Abraão de. Teologia Contemporânea. 7° Edição. Rio de Janeiro: 2007, p 142.

12 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 1999, p 583.

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Abraão de. Teologia Contemporânea. 7° Edição. Rio de Janeiro: 2007, 362 p.

BROWN, Colin. Filosofia e Fé Cristã – um esboço desde a Idade Média até o presente. Tradutor Gordon Chown. 2° Edição. São Paulo: Vida Nova, 2007, 279 p.

CHAMPLIN, R.N; BENTES, J.M. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Volume 2. Tradutor João Marques Bentes. 3° Edição. São Paulo: Candeia, 1995, 750 p.

EVANS, Stephen C. N. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. Tradutor Rogério Portella. São Paulo: Vida, 2002, 149 p.

GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Tradutora Lailah de Noronha. São Paulo: Vida, 1999, 932 p.

MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. Tradutor José Fernandes. 3° Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1979 – 1980, Volume 2, 274 p.

___________________Biografia de Rudolf Karl Bultmann. Disponível em: <http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_3050.html>.

Enciclopédia de Filosofia. Sapadix Software.

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