Liberalismo teológico e fundamentalismo cristão

Posted by Jean Seifert in HERESIAS | IGREJA

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Por Jean Seifert

INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem como objetivo a apresentar de forma panorâmica o pensamento e posicionamento teológico da cosmovisão liberal, mostrando seus principais preceitos e primórdios fundamentais, como e porque surgiram o fundamentalismo cristão e o que ele responde, mostrando também seus principais teólogos desde início desse movimento conhecido como pensamento teológico liberal, incluindo suas principais ideias sobre o assunto.   

LIBERALISMO TEOLÓGICO (INÍCIO)

Pressupõem que o liberalismo teológico teve início no racionalismo a meados do século 18 que foi muito bem desenvolvido até a década de 1920. O liberalismo tem fortes raízes no iluminismo, ou seja, uma grande influência do movimento filosófico.

Eram contra o poder da religião institucionalizada e com suas bases fortes no Racionalismo de Descartes, Spinoza e Leibniz e também no Empirismo Berkeley, Hume e Locke que mesmo tendo grandes discordâncias entres si não deixou de fazer grande abalo na teologia cristã.

Para a teologia liberal manter Deus de fora do conhecimento humano era simplesmente normal para sua tese visto que o Racionalismo tinha feito esse buraco na teologia cristã quando afirma que “ o sobrenatural não invade a história”, ou seja, a história passou a ser meramente causa e efeito.

Todo o pensamento teológico de que Deus conduz a sua história atuando, intervindo e se revelando a humanidade foram rapidamente excluídos pelo pensamento teológico liberal gerando assim abalos dentro da teologia cristã.

TEÓLOGOS LIBERAIS

Friedrich Schleiermacher foi um teólogo, filosofo e pastor alemão filho de um capelão militar oriundo da tradição reformada que estudou em escolas luteranas. Nasceu na Brelslau na Prússía sua época foi dominada pelo pensamento moderno conhecido como “Era da Razão”.

Foi considerado o pai da “teologia moderna” ou liberalismo teológico, seu ensinamento explicava o relacionamento do homem e o infinito e que esse relacionamento não necessitava de forma nenhuma dos aspectos fé e milagres e até mesmo a própria existência de Deus.

Diante disso, ou seja, da ênfase na subjetividade, Schleiermacher pode ser considerado o primeiro grande teólogo da modernidade. Algumas pontuações sobre a teologia de Schleiermacher são a seguir colocadas. O milagre não é mais que o nome religioso para designar um acontecimento; todo acontecimento, até o mais natural, tão logo se mostra apropriado para que a consideração religiosa do mesmo possa ser dominante, é um milagre”. (SCHLEIRMACHER 2000, p. 41).

Exemplo disso é sua descrença na bíblia dizendo que o antigo testamento seria importante apenas para apontar o relacionamento histórico do cristianismo e que o Jesus dos evangelhos é meramente produzindo pela imaginação dos autores da época.

Sendo assim a Bíblia não é nunca foi inspirada por Deus são relatos imaginários de seus autores e o Jesus dos evangelhos nunca foi Deus isso foi uma má interpretação, mas foi um homem que alcançou a plena e pura consciência de Deus. Para ele o que realmente interessa para a religião são os sentimentos.

A religião não pode ser estudada pelos dogmas da igreja muito menos pelo racionalismo nem pela filosofia que o mais importante era o puro sentimento para assim geral um genuíno relacionamento com Deus e de deus com o homem.

Schleiermacher questionava todos os autores dos evangelhos e questionava também a interpretação tradicional da igreja sobre os evangelhos não desacreditava da igreja pois acreditava que a igreja era sim uma grande comunidade humana na busca da plena e genuína dependência de Deus.

DOUTRINAS LIBERAIS

Definitivamente a Bíblia não é a Palavra de Deus muito menos inspirada por ele, ela contém vários erros por ser ela escrita por homens e o ser humano é falho gerando uma interrogação na teologia cristã.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo. Deus a usa para preparar e capacitar seu povo para toda a boa obra.2 Timóteo 3:16-17 (BÍBLIA NVT).

Jesus não nasceu de uma virgem isso são afirmações mitológicas tais como a própria ressurreição de Cristo em forma corpórea na verdade Jesus era sim um bom professor de moral, mas seus milagres não foram reais nem sobrenaturais.

O homem pode-se ajudar e não precisa de nenhum sacrifício de Jesus, sendo assim o inferno não é real e nem a humanidade está perdida a caminho do inferno e não existe um julgamento final pois o próprio céu é uma grande utopia do cristianismo isso nega a morte expiatória de Cristo.

O que torna importantíssimo a teologia liberal é o amor ao próximo são as atitudes de amor para com o próximo o que os teólogos liberais decidem que é bom então é bom negando doutrinas essências da Escritura, logo distorcendo a vida cristã e seus preceitos e ensinamentos vitais.

FUNDAMENTALISMO CRISTÃO

O fundamentalismo cristão nasce na tentativa de resposta ao liberalismo teológico, ou seja, às doutrinas básicas, essências e vitais do cristianismo foi sim interpretada de forma totalmente errada pela teologia liberal.

Os fundamentalistas ou conservadores tradicionais, tem em sua maioria uma interpretação literal das Sagradas Escritura eles tem a Bíblia com única autoridade para base de seus ensinos e práticas e que nela não a erro nenhum.

Sendo assim a interpretação dos fundamentalistas passa a ser a única interpretação bíblica correta todas a outras interpretações estão erradas, ou seja, a sua interpretação é a única valida e legitima.

Não é uma doutrina. Mas uma forma de interpretar e viver a doutrina. É assumir a letra das doutrinas e normas sem cuidar de seu espírito e de sua inserção no processo sempre cambiante da história, que obriga a contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter sua verdade essencial. Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista. (BOFF 2002, p. 25).

DISPENSACIONALISMO

Dispensacionalismo tem em seu cerne duas distinções básicas, uma sendo a interpretação literal da Bíblia em particular os livros proféticos e a outra seria a distinção Israel e a igreja no plano divino de Deus.

O dispensacionalista afirma que sua hermenêutica é a interpretação literal até mesmo os símbolos e as figuras de linguagem são interpretados de forma óbvia e simples tudo isso é colocado de forma imperativa literal.

Mesmo quando a símbolos e figura de linguagem ela foi dada por Deus para a capacitação do homem em comunicação e interpretação e olhando para o antigo testamento todas a profecias a respeito de Jesus foram literalmente cumpridas, ou seja, todos os atos bíblicos tais como nascimento, ministério, morte e ressurreição de Jesus ocorreram todos em exatidão e literalidade como prescritos no antigo testamento, demonstrando não ter nenhuma profecia não literal no novo testamento.

Essa é sua forte base hermenêutica de interpretação justamente para não dar margem a toda e qualquer interpretação humana pois se assim fosse tiraria toda a inefabilidade da bíblia gerando uma possível falha na interpretação bíblica.

Essa teologia acredita ter dois povos diferente de um único Deus sendo eles os Israel e a igreja, a salvação não veio por outro meio se não a fé em Deus no velho testamento e também em Cristo o filho de Deus no novo testamento.

Então a igreja não veio para substituir a Israel na condução da história divina e muito menos que as promessas do antigo testamento foram transferidas para a igreja e que todas essas promessas Deus a Israel no velho testamento vão sim se cumprir em um grande período de mil anos que é citado em Apocalipse 20.

Essa base teológica de dispensacionalismo gera uma organização bíblica dividida em sete dispensações sendo elas, inocência (Gênesis 1:1-3-7), consciência (Gênesis 3:8-8-22), governo humano (Gênesis 9:1-11-32), promessa (Gênesis 12:1 –  Êxodo 19:25), lei (Êxodo 20:1 – Atos 2:4), graça (Atos 2:4 – Apocalipse 20:3), e o reinado milenar (Apocalipse 20:4 – 20:6).

Esses atos de dispensacionalismo são atos onde Deus separou para um relacionamento com a humanidade são caminhos que Deus usou para interagir com o homem e não se trata de uma questão soterológica, mas de comunicação e relacionamento do divino com sua criação.

POSICIONAMENTO

Sendo o liberalismo teológico fruto do iluminismo ele chega com a seguinte colocação eu só posso aceitar como verdade o que minha mente vai entender, mesmo a nossa fé cristã sendo racional alias ela é suprarracional o exemplo disso é que não podemos entender a doutrina da trindade mesmo sabendo que não somos politeístas.

Não podemos entender como um Deus só subsiste em três pessoas distintas, não podemos entender com nossa razão um Deus que transcende e é maior do que tudo que ele criou pode se fazer carne, homem e habitar em nosso meio.

Não podemos explicar racionalmente os milagres, mas quando nossa mente não pode ir além aí nós cremos e o liberalismo teológico diz que isso nós não podemos aceitar e isso afetou e matou várias igrejas onde o liberalismo se instalou.

Se olharmos para a Europa hoje que é conhecida como o berço do protestantismo onde temos grandes movimento e grandes igrejas históricas onde grandes homens de Deus se empenharam na divulgação de um evangelho genuíno muitos perderam suas vidas ao defender isso.

Hoje muitos dessas igrejas históricas estão em decadência por causa do liberalismo teológico que inundou muitas dessas igrejas e adentrou fortemente em suas universidades tendo como base em sua grade curricular até os dias de hoje, fazendo enfraquecer a fé cristã.

A Bíblia exalta a “terrível transcendência de Deus”; o liberalismo aplica o nome de Deus ao “processo do mundo”. A Bíblia ensina que “o homem é um pecador sob a justa condenação de Deus”; o liberalismo acredita que “sob as grosseiras feições exteriores do homem […] é possível descobrir abnegação suficiente para servir de fundamento à esperança da sociedade”. A Bíblia proclama Jesus Cristo como objeto divino e humano da fé; o liberalismo vê nele um exemplo humano de fé. A mensagem central da Bíblia é a salvação da culpa do pecado pelo sacrifício expiatório de Cristo, o Filho de Deus; o liberalismo ensina que a salvação vem pelos próprios seres humanos, vencendo sua preguiça para fazer o bem. O “missionário cristão” prega a salvação das almas humanas pela obra redentora de Cristo; o missionário do liberalismo procura expandir os benefícios da civilização cristã. (MACHEN 2016, p.129).

O liberalismo teológico está impregnado em várias universidades e seminários e de lá desse para os púlpitos das igrejas dissolvendo todo nosso discernimento teológico histórico e bíblico e a única forma de combatê-lo é pregando a Palavra de Deus pura e verdadeira.

E o que muitos fazem hoje é tentar conjugar cristianismo com darwinismo e isso não tem como interagir, se tivermos que negar alguns livros da bíblia talvez teríamos que negar ela por inteiro e isso é impossível o exemplo disso é que a criação não está só descrita em Gênesis 1 e 2, mas também na lei, nos livros poéticos, nos livros proféticos, nos salmos nos evangelhos em atos ou seja, em toda a Escritura e isso é impossível de ser negado.

CONCLUSÃO

O liberalismo teológico se tornou um câncer para a teologia cristã, e nós ainda temos um pequeno flerte pelo liberalismo nos encantamos com esse veneno teológico. Nós não vemos pastores liberais plantadores de igrejas, promovendo o crescimento da obra de Deus muito menos experimentando um reavivamento.

REFERÊNCIAS

SCHLEIERMACHER, Friedrich D. F. Sobre a religião – Discursos a seus menosprezadores eruditos. São Paulo, Novo Século, 2000.

BOFF, L. Fundamentalismo: a globalização e o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Sextante, 2002.

MACHEN, J. Gresham. Christianity and liberalism. O desafio do fundamentalismo protestante. Concilium, Petrópolis, 1992, p.129.

BIBLIA SAGRADA, NVT, editora Mundo Cristão, 2016, SP.

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