A teologia do utilitarismo

Posted by Flávio Santos in HERESIAS | IGREJA

utilitarismo

Por Flávio Santos

Augustus Nicodemus Lopes diz que “pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber como e não por que”. Assim, a teologia do utilitarismo busca um Deus funcional, que tenha as soluções para os seus problemas, que satisfaça suas necessidades, massageie o seu ego e o proteja de todos os males. Se funcionar barganhar com Deus, que se faça barganha. Se o método é buscar a prosperidade de Deus do que o Deus da prosperidade, que assim seja usado. Se há um jeito de ter o desejo satisfeito, ainda que Deus seja usado, que seja feito.

Essa teologia utilitarista precisa ser desconstruída. E isso só acontecerá quando o Deus Gracioso for conhecido. Ricardo Barbosa diz que “O utilitarismo é o carro chefe das relações humanas, e não seria diferente para com Deus e o mundo espiritual. Satanás acredita que existem outros motivos ocultos por detrás da piedade de Jó. Esses motivos secretos, muitas vezes ocultos até para nós mesmos, demonstram a verdadeira intenção do nosso interesse por Deus. O que aconteceria se Jó perdesse a sua riqueza e honra? Será que continuaria temendo a Deus e amando-o apesar da miséria e da doença? Satanás pensa que não”.

O utilitarismo é servir a Deus pelo que Ele pode dar ou fazer. No livro de Jó, podemos observar Satanás acusando Jó de servir a Deus apenas pela proteção da sua vida, da sua família e de seus bens; pela benção de Deus, no que diz respeito a prosperidade, sobre a obra de suas mãos; pela segurança das suas criações. Jó 1.9,10. Satanás acusa Jó de servir a Deus pela saúde de seu físico, e que um ferimento em sua pele, carne e ossos, desencadearia um processo de insatisfação com Deus que culminaria no abandono de Deus. Jó 2.4,5

O utilitarismo faz parte da essência caída do homem, assim, mesmo os que são do Senhor, podem, no caminho, perder a graça de vista. É o que podemos observar em Malaquias 3.13-15. O Povo do Senhor se perguntando por que suas palavras pareciam contra o Seu propósito de Deus. E Deus revelando que estavam dizendo: É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e andamos lamentando diante do Senhor dos Exércitos? Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto prospera o que pratica o mal como escapam ilesos s que desafiam a Deus!”. Malaquias 3.13-150

Jesus enfrentou o utilitarismo em sua época. Jesus é o Divino Filho de Deus, o Verbo encarnado, o único que pode mitigar a nossa fome espiritual. Jesus mitigou a fome de muitos, através de seus diálogos espirituais, com pessoas que careciam de uma palavra de espírito e vida e, todos, quantos viessem a Ele, crendo que Ele é o Pão vivo que desceu do céu. O Pão que multiplica, neste contexto, tem um diálogo com a multidão que havia sido alimentada pelo pão multiplicado; os judeus que O seguiam, procurando motivos para acusá-lo; e os seus discípulos. Jesus diz a estes que é o Pão da Vida, e todos que Dele comessem com Fé receberiam vida.

Mas, mesmo sendo, o único pão que pode mitigar nossa fome. Existem algumas atitudes que nos impedem de participar do Pão da Vida. Se as motivações forem erradas; se as obras que se quer praticar, não são as obras da fé; se os sinais que se vê, não resulta fé; se os pedidos forem apenas de boca, e não de coração em fé; se há dúvida quanto à encarnação do Pão da Vida; quando não se entende que comer da carne de Jesus é crer na morte Dele pelos nossos pecados; quando se acha duro o discurso do Evangelho e se abandona o Pão da vida.

Depois da apresentação dessas atitudes que os impedia de participar do Pão da Vida, alguns foram embora achando duro Seu discurso. Jesus, então, pergunta para seus discípulos, vocês também não querem ir?  Pedro, responde, crendo que Jesus é o Santo de Deus, O pão da Vida: Para quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna. Aquele que não tem esse tipo de atitude, e participa do Pão da Vida, experimenta bens para a vida: Nunca mais terá fome ou sede; não morrerá, mas viverá para sempre; terá a vida; ressuscitará no último dia; habita no Senhor Jesus Cristo, e o Senhor Jesus Cristo habita nele; vive pelo Senhor Jesus Cristo; recebe as palavras de espírito e vida. O discurso de Jesus é duro, apenas, para os que querem se alimentar do pão multiplicado, e não do Pão que multiplica.

Atualmente Satanás ainda continua acusando as pessoas de utilizarem a teologia do utilitarismo no relacionamento com Deus. As pessoas ainda continuam querendo ganhar alguma coisa por sua obediência. Ainda querem que Deus supra suas necessidades. A nossa geração ainda quer se utilizar de Deus para o seu bem.

Há dois agravantes na utilização de Deus nos dias de hoje, vejamos:

O primeiro é a barganha. As pessoas estão barganhando com Deus. Fazendo trocas com o Senhor. Estão se utilizando de Deus e oferecendo em troca dinheiro. Sementes financeiras de barganha. Isso é fruto da teologia da prosperidade. O segundo é a sugestão de Satanás. Note que é sugestão, não acusação. Jó foi acusado de algo. Não identificado como utilizador de Deus. Na tentação de Jesus, a sugestão do diabo é identificada e Jesus responde, tendo Deus como Gracioso, não como gênio da lâmpada. Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”. Mateus 4:6,7. O que temos visto, não é a imitação da resposta de Jesus, mas a utilização da sugestão do diabo para a proteção de Deus.

Em Jó podemos promover a desconstrução dos dogmas do utilitarismo de Deus nas bases do seu relacionamento com O mesmo, para que se possa desenvolver uma espiritualidade lastreada pelos princípios bíblicos.

Jó ao perder tudo, não peca contra Deus e muito menos atribui a Deus falta alguma. Jó não servia a Deus por proteção e livramento. Muito menos pela sua prosperidade. Jó servia a Deus por Deus. Por isso, no sofrimento, o adora. Adoração tem a ver com bendizer ao nome do Senhor pelo que ele é, não pelo que faz ou pode fazer. Jó 1.20-22. Jó ao perder a saúde não abandona Deus. Sua espiritualidade não estava baseada no bem que Deus poderia proporcionar, mas em Deus, que também poderia proporcionar o Mal. “… Receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios”. Jó 2.10.

Em Jó podemos observar um homem cujo interesse é Deus e sua graça, não os seus favores.

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