Santander Cultural

Posted by Maurício Montagnero in APOLOGÉTICA | Cultura e Mídia

santander cultural

Por Maurício Montagnero

UM POUCO DE FILOSOFIA POR TRÁS:

Vamos iniciar este texto pensando um pouco sobre arte Grega e a filosofia de Nietzsche? Assim veremos a relação que há entre essas com o que aconteceu no Santander Cultural.

Na concepção estética Grega antiga existia o trágico que orientava a sua civilização que a principio era traçado por duas forças, a saber: apolíneo e dionisíaco. São duas forças ou impulsos criadores que conduzem o homem artístico. A força apolínea vem da ideia do deus Apolo que é harmonioso, além de apresentar à ética e a estética, a ordem e a medida e a manutenção dos limites. A força dionisíaca vem da ideia do deus Dionísio que é o deus do vinho, da alegria, da fertilidade, da terra, é o culto a vida em proporções universais, e não no principio da individuação, mas também é o deus sofredor, que provoca a destruição dos limites, até aqueles impostos pela ética e dando impulsos para se viver a vida. Dionísio se manifesta como, aparentemente, supressor e aniquilador da singularidade e da bela aparência. Nietzsche ao elaborar seu argumento em cima do veredicto da morte de Deus (na realidade da moral e virtudes cristãs) ele aponta que o princípio regulador da vida existencial e todas as suas esferas (inclusive a arte) deve ser dionisíaco e não apolíneo, ou seja, precisa destruir os limites que impõe os limites da ética, e que não se importa necessariamente com o Belo.

O Santander Cultural – que é um centro cultural brasileiro mantido pelo Santander em um prédio histórico em Porto Alegre – promoveu uma exposição de artes (queermuseu) que afrontou a fé cristã e fez apologia a imoralidades como a pedofilia e a zoofilia (para mais veja o vídeo). O que essa exposição realizou está intimamente ligado ao conceito estético nietzschiano, pois passou dos limites da ética e não se importou com o Belo.

O QUE DIREMOS, POIS?

Diante deste contexto nasce à pergunta de como a fé cristã, revelada na bíblia, deve se relacionar com tal problemática. Com certeza, primeiramente, denunciando bíblica, doutrina e teologicamente cada item ofensivo, abusivo e abominável que fora expresso nessa exposição como citado. Contudo, não será a pauta deste texto. A outra maneira pela qual a fé cristã pode lidar com este assunto é refletir sobre a arte e o seu dever de um ponto de vista bíblico, e é isso que aqui faremos.

VISÃO BÍBLICA:

A primeira referência que há das artes nas Escrituras é em Gn 4.21, em sua expressão musical: O nome do seu irmão era Jubal, que foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. Interessante fazer três observações: 1) A partir desde texto nascem as expressões artísticas; 2) Jubal era da descendência ímpia de Adão, ou seja, de Caim (vs/1 – 17), e não da descendência que veio o homem de Deus, Noé, que é a de Sete (4.25 – 5.28); e 3) A nascente da arte foi em uma época antes de começarem a invocar o nome do Senhor (4.26b). Logo, a arte em si, da forma terrena, nasceu em uma época de “separação” total do Senhor. Porém, isso não quer dizer que as artes são do mundo do mal e de natureza ímpia, pois vemos a música, a harpa e a flauta serem utilizadas diversas vezes pelo povo de Deus como ato de adoração e louvor. Dentre algumas citações a mais famosa é a do músico e Rei Davi.

O que afirmamos diante do exposto é que a arte é um dom natural dado por Deus para os homens em geral, sejam eles cristãos ou não. Cremos que assim Deus faz, pois existe a graça comum dEle para todos (Sl 145.9, 15 e 16; Ec 9.2 e 3a; Mt 5.44 e 45; Ar 14.16 e 17). Nota-se aqui, ainda, que a arte não é só utilizada para o louvor e adoração (isso é uma visão utópica da estética em Agostinho e no período medieval), contudo, também é para o deleite do homem criado por Deus, e, também, faz parte da graça comum de Deus para todos; por isso que sentirmos prazer ao ouvir uma música, apreciar um quadro, ver um teatro ou assistir um filme.

Todavia, para que este dom seja aplicado é necessário que haja um principio regulador que se chamamos de leis naturais. Essas leis todos os seres humanos têm em sua consciência, sem ter aprendido da mesma, pois vieram diretamente de Deus (Rm 2.14 – 15): De fato, quando os gentios, que não têm lei, praticam naturalmente o que ela ordena, tornam-se lei para si mesmos, embora não possuam a Lei; pois mostram que as exigências da lei estão gravadas em seu coração. Disso dão testemunho também a sua consciência e os pensamentos deles, ora acusando-os, ora defendendo-os. Ela tem relação com a lei moral, a qual controla o nosso instinto a fazer o que é certo, pois os seres humanos têm consigo dois instintos, um que leva às atitudes erradas, e o outro que os leva às atitudes certas. A lei moral e as leis naturais devem ser o princípio regulador, portanto, no desenvolvimento ou exposição de qualquer obra de arte para que não seja uma afronta a Deus e um desrespeito ao próximo. Pode-se ver que esta lei foi vista: 1) parcialmente, por um homossexual que denunciou a exposição artística em discussão; 2) Pela população que tem votado, em sua maioria, pelo cancelamento da exposição através de uma enquete (https://jornalivre.com/2017/09/12/jornalista-da-globo-news-faz-enquete-sobre-exposicao-do-santander-no-twitter-e-internautas-demonstram-repulsa-pelo-evento/); e 3) Pelo Facebook que censurou este movimento (https://jornalivre.com/2017/09/12/contradicao-ate-o-facebook-com-sua-agenda-esquerdista-esta-censurando-fotos-da-exposicao-queermuseu/).

As expressões artísticas em questão, do Santander Cultural, são expressões imorais e que defendem atitudes abomináveis, desrespeitosas, para com Deus e a sociedade. Tais artistas e exposição cultural precisam de limite. Como vi hoje à tarde alguém dizer em um seriado: As regras (leia-se leis naturais e moral) é que nos separam dos animais. Tenhamos sabedoria e sensibilidade para produzir e apreciar a arte, a graça comum dada dEle para nós. Ainda falando sobre a graça comum eu consigo identifica-la em grupos que se mobilizaram para “boicotar” essa blasfêmia cultural, social e religiosa que ocorria, dentre esses grupos destaco o MBL (Movimento Brasil Livre). Que nós, cristãos, juntos com os que têm a sensibilidade a graça comum de Deus possamos honrar o mandato cultural dado a nós em todas as esferas da vida, inclusive desta em questão: O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo (Gn 2.15). Então cuidemos e cultivemos com bom senso, respeito e moral aquilo que nos é confiado!

UM OUTRO LADO DA FILOSOFIA:

Em contraponto a Niezstche na estética (que analisa filosoficamente a arte e o belo) há Theodor Adorno, musicista e conhecedor teórico e prático dos fenômenos artísticos. Grande filósofo do campo da estética! Analisando sua obra e desenvolvimento sobre a Indústria Cultural vê-se que a alienação da obra de arte atinge também o gosto, assim, não há obra de arte autêntica, há apenas modismos e criações es­tereotipadas que recebem o nome de arte, mas que na verdade não são. Isso fica muito claro na exposição do Santander! Como disse Adam Sócrates: Toda arte é expressão pessoal, mas nem toda expressão pessoal é arte.

Em Theodor Adorno ainda consegue-se entender que de modo geral, quando contemplamos uma obra de arte, há uma “satisfação imediatista do ego”, porém muitas vezes é pobre, alienada, fetichizada, reducionis­ta, banalizada, estereotipada (como vimos no dionisíaco niezstchiano). O prazer proposto é em si uma negação disfarçada da possi­bilidade de satisfação integral do prazer. A fetichização corrompe as obras de arte em algo indecente. Não há qualquer tipo de critério relativo à qualidade. A consequência imediata desse processo é a vulgarização do Belo, de forma que as pessoas vivem como se fosse possível encontrar uma obra de arte a cada esquina a qualquer momento. A obra de arte é exposta ao ridículo. As telas pintadas por elefantes ou macacos são mais valorizadas do que as obras clássicas dos pintores. Adorno insiste, em sua obra, implacavelmente, na necessidade de que a arte e o pensamento modernos sejam difíceis, complexos e sistematizados, buscando assim preservar sua verdade e vigor, recusando assim qualquer tipo de banalização.

CONCLUSÃO: POR UMA ESTÉTICA CRISTOLÓGICA!

Não posso encerrar sem afirmar que tal aberração (Santander Cultural + Estética Nietzschiana) é fruto da queda do homem no Éden (Gn 3) que trouxe consequências do pecado para todas as esferas da vida, inclusive da artística. Contudo, Cristo morreu não só para redimir o homem dos efeitos do pecado, mas, também, todas as esferas da vida, pois: convergiu em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas… e por meio de Jesus reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as questão na terra quanto as que estão nos céus (Ef 1.10; Cl 1.20). Logo, necessitamos fazer que as expressões artísticas sejam direcionadas a Cristo, tendo-o como fundamento. Das seguintes maneiras: 1) Não permitindo que se torne imoral como visto acima; 2) Aplicando as virtudes cristãs e remando contra a maré que Nietzsche, Deleuze e Guatarri propuseram; e 3) Usá-las para que glorifique a Deus e aponte para Cristo, como Paulo fez com a poesia grega em At 17.24 – 31.

Infelizmente, o que vimos no Queermuseu foi uma má aplicação do ideal renascentista (o homem ser a medida de todas as coisas). Em contraponto lutemos por uma arte com princípio regulador e desenvolvemos uma estética cristológica!

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