Quatro problemas na moralidade evolutiva

Posted by Stand to Reason in APOLOGÉTICA

moralidade evolutiva

Por Tim Barnett

Traduzido por Semi Chung Azeka – Artigo original aqui.

Evolução e moralidade não se misturam. [1] Essa foi a conclusão que cheguei num recente trabalho de pesquisa que escrevi para o mestrado. No entanto, muitos naturalistas evolucionistas não desistem da questão acerca da moralidade. Em vez disso, eles tentam dar fundamento à moralidade na evolução natural. É um assunto repleto de sérios percalços. Postas em conjunto, formam um caso insuperável contra a evolução como fundamento para a moralidade. 

A Evolução Natural não Pode Obter um “deve” de um “é”

A ciência descreve como o mundo natural é, não nos diz como deveria ser. É aqui onde a moralidade evolutiva confronta um problema já amplamente reconhecido. Ou seja, não pode produzir um “deve” de um “é”. Regras normativas não podem ser derivadas de fatos empíricos. De fato, o bioquímico vencedor do Prêmio Nobel, Jacques Monod escreve:

Um dos maiores problemas na filosofia é a relação entre a esfera do conhecimento e a esfera dos valores morais. Conhecimento é aquilo que “é”, e valores são aquilo que “devem ser”. Eu diria que todas as filosofias tradicionais até, e incluindo o comunismo tentaram derivar “deve” do “é”. Isto é impossível. Se é verdade que não existe propósito no universo, que o homem é apenas um puro acidente, você não pode derivar nenhum “deve” do “é”.[2]

O problema decorre da tentativa de deduzirmos um dever moral a partir de uma descrição científica. O Darwinismo talvez seja capaz de descrever comportamentos passados, mas carece de recursos para prescrever o comportamento futuro. Como Greg Koukl diz: “Uma questão jamais pode ser respondida por qualquer avaliação da ética evolucionária: Por que eu deveria ser moral amanhã?” [3] Qualquer resposta assumiria uma norma objetiva para além do mundo natural.

A Moralidade Evolutiva Continua Evoluindo

Evolução é arbitrária e poderia ter evoluído de maneira diferente; portanto, a mesma verdade vale para a moralidade evolutiva. [4] De fato, é possível que a moralidade tenha evoluído na direção oposta. Conseqüentemente, aqueles comportamentos que são louvados como virtuosos seriam imorais, e aqueles considerados viciosos seriam morais.

O filósofo Michael Ruse e o biologista E. O. Wilson descrevem como as coisas poderiam ter evoluído de forma diferente:

Suponhamos que, ao invés de evoluirmos de primatas da savana, tivéssemos evoluído de uma maneira muito diferente. Se, como os cupins, precisássemos habitar na escuridão, comer as fezes uns dos outros e tivéssemos que canibalizar os mortos, nossas regras epigenéticas… seriam muito diferentes de agora. Nossas mentes seriam fortemente propensas a exaltar tais atitudes como sendo morais e belas. E acharíamos moralmente repugnante viver à céu aberto, desperdiçar corpos ou enterrar os mortos.[5]

Além disso, a evolução não nos fornece um fundamento estável para a moralidade no futuro. Como a evolução é um processo de mudança, a moralidade deve também mudar. [6] O apologista Frank Turek questiona, “Se a evolução é a fonte da moralidade, então o que pode fazer a moralidade parar de evoluir (mudar) até o ponto que um dia o estupro, roubo e assassinato sejam considerados morais?”[7]

Isto revela o absurdo de tentarmos situar a moralidade na evolução naturalista. Aquilo que é considerado moralmente proibido hoje, pode tornar-se moralmente obrigatório amanhã. E essa moralidade não seria moralmente melhor ou pior, seria apenas moralmente diferentes. Por exemplo, num futuro distante, escravidão pode servir bem na perpetuação da espécie humana na luta pela sobrevivência. Como resultado, escravizar outros seres humanos seria algo moral. Para evitarmos essa conclusão, deve-se interpolar um padrão moral transcendente que a evolução simplesmente não fornece.

Evolução Naturalista Explica a Moralidade

Evolução é sobre a sobrevivência das espécies. Isso significa, num ponto de vista evolutivo, que crenças morais são direcionadas à conveniência, e não dirigidas à verdade. Ou seja, nos apegamos às crenças morais baseados naquilo que confere uma vantagem na sobrevivência, e não mais no que corresponde à realidade.

Dado que a moralidade evolutiva é orientada pela conveniência e não pela verdade, muitos naturalistas têm questionado a existência da moralidade. Realismo moral é a visão de que existem fatos morais objetivos independentes da mente humana. Infelizmente, o Darwinismo não explica como poderiam haver fatos morais; em vez disso, ele tenta explicar como a humanidade veio a acreditar erroneamente em fatos morais.

Michael Ruse e E. O. Wilson entendem assim. Eles afirmam: “A ética, como a entendemos, é uma ilusão que foi confundida por nossos genes para fazer-nos cooperar. Sem fundamento externo”. [8] Ruse e Wilson continuam: “Moralidade, ou mais precisamente nossa crença na moralidade, é apenas uma adaptação posta em prática para promover nossos fins reprodutivos… Ética é produzida pela evolução, mas não justificada por isso, porque, como a adaga de Macbeth’s, serve a um poderoso propósito sem existir em substância.” [9] (ênfase adicionada)

Ruse e Wilson acreditam que isto não seja um problema para a visão deles. Eles afirmam: “A maneira como a biologia reforça seus fins, é fazendo-nos acreditar que existem normas superiores objetivas, na qual estamos todos sujeitos… Por acharmos que a ética está fundamentada de maneira objetiva, estamos inclinados a obedecer regras morais.”[10] (ênfase adicionada). A evolução natural age como um trapaceiro enganando as pessoas a pensarem que a moralidade é real. Assim, o ato de estupro em si não é moralmente errado. Em vez disso, nossos genes nos enganaram pensando que estupro é errado.

Portanto, a evolução natural não explica a existência de moralidade. Em vez disso, explica o porquê acreditamos que a moralidade existe, quando na verdade ela não existe. Então a abordagem da evolução não é uma explicação da moralidade; é a negação da moralidade. Explica apenas a ilusão da moralidade.

Evolução Natural Mina Todas as Crenças Morais

Charles Darwin era um cético convicto quanto a possibilidade de racionalidade dada a evolução natural. Ele escreve: “Comigo, a horrenda dúvida sempre surge quando as convicções da mente do homem, que foi desenvolvido a partir da mente dos animais inferiores, tem algum valor ou são de todo confiáveis. Será que alguém confiaria nas convicções da mente de um macaco, se é que existem convicções em tal mente?”[11]. Obviamente, isto incluiria convicções morais.

Em uma visão evolucionista, não existem razões para confiarmos em nossas convicções morais. Afinal, se nos apegamos às nossas crenças morais apenas por conveniência conferida pelo comportamento resultante, então nos parece que teríamos tais crenças sendo elas verdadeiras ou não.[12] No mínimo, isso significa que nunca poderíamos saber se as nossas crenças morais correspondem a fatos morais. Dada a gênese de nossas convicções morais, somos deixados com o ceticismo moral.

Numa perspectiva naturalista, cada um desses problemas se põe como um sério desafio. Entretanto, postos em conjunto, este caso é irrefutável. Em vez de negar a moralidade, o naturalista dever negar o naturalismo. A cosmovisão teísta faz sentido para a moralidade transcendente e evita os problemas que discutimos.

NOTAS

[1]Para o propósito desse artigo, por evolução, estou usando especificamente a evolução natural. Isto é, naturalismo combinado com a evolução neodarwiniana

[2] Jacques Monod, Chance and Necessity (London: Collins, 1971), 110.

[3] Francis J. Beckwith and Gregory Koukl, Relativism: Feet Firmly Planted in Mid-Air (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1998),162.

[4] Paul Copan, “My Genes Made Me Do It: Is Ethics Based on Biological Evolution?,” Enrichment Journal Blog, April 24, 2014, accessed November 21, 2016, http://enrichmentjournal.ag.org/201404/201404_024_Genes_ Made_Me_Do_It.cfm.

[5] Michael Ruse and Edawrd O. Wilson, “The Evolution of Ethics,” in Religion and the Natural Sciences: The Range of Engagement, ed. James E. Huchingson (Orlando: Harcourt Brace, 1993), 311.

[6] Frank Turek, Stealing from God: Why Atheists Need God to Make Their Case (Carol Stream, IL: NavPress, 2014), 102.

[7] Frank Turek, “Evolution Cannot Explain Morality,” Cross Examined Blog, July 1, 2008, accessed December 1, 2016, http://crossexamined.org/evolution-cannot-explain-morality.

[8] Ruse and Wilson, “The Evolution of Ethics,” 310.

[9] Ibid.

[10] Ibid., 311.

[11] Charles Darwin, The Life and Letters of Charles Darwin, ed. Francis Darwin (1897; repr., Boston: Elibron, 2005), 1:285.

[12] Mark D. Linville, “The Moral Poverty of Evolutionary Naturalism,” in Contending with Christianity’s Critics: Answering New Atheists and Other Objections, ed. Paul Copan and William Lane Craig (Nashville, TN: B&H Publishing, 2009), 62.

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