Freud: fundação do sujeito, cultura e religião

Posted by Matheus Negri in APOLOGÉTICA

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Por Matheus Negri

Vamos estudar algumas considerações importantes da psicanálise para a Ética. Primeiro é importante ressaltar que a psicanálise não prevê uma moral no sentido de costume, mas uma ética, isto é, uma reflexão crítica da moral. Um bom exemplo é o movimento de maio de 1968 na França onde os psicanalistas não participaram. Para responder a crítica Lacan disse que a psicanálise estava para criticar os sistemas de poder, e no caso dos estudantes e as passeatas previam o poder. Veremos um pouco sobre a biografia de Freud, o sujeito em psicanálise, a relação entre cultura, sociedade e religião e as implicações para a teologia. Olharemos em uma perspectiva filosófica e não clínica.

Sigmund Scholomo Freud nasceu em 6 de maio de 1856 na República Tcheca e faleceu em 23 de setembro de 1939 em Londres, tendo exercido sua profissão em Viena. De origem judaica, formou-se em medicina sem distinção. Como neurologista, aproximou-se do estudo do tratamento da histeria. O comportamento histérico se dava em mulheres na sociedade Vitoriana, como um surto da mesma forma que hoje temos a depressão, neste período muitos médicos pesquisaram este comportamento e se deu a invenção do vibrador, o invento mais vendido na história. Freud estudou sob influência de médicos como Charcot e Breuer, o que proporcionou-lhe uso de métodos como a hipnose, a catarse e, por fim, a livre-associação, que em paralelo com o seu crescente interesse pelo inconsciente, proporcionou a concepção da ciência que recebeu o nome de psicanálise, cujo o corpo teórico se estende sobre temas como arte, religião e política.

O sujeito em psicanálise

Não pode se esquecer do que afirmou Souza, “Freud é produto de sua época”.[1] Luiz Roberto Manzini em Desejo e prazer na idade moderna possibilita uma compreensão contextual para a possibilidade do surgimento de um pensador como Freud, haja visto que para o Vienense o sujeito é um complexo e precário equilíbrio conflitante entre a força pulsional da sexualidade, que por meio de impulsos escapa ao seu controle e conhecimento, como afirmou Freud:

A vida dos nossos instintos sexuais não pode ser inteiramente domada, e a de que os processos mentais são, em si, inconscientes, e só atingem o ego e se submetem ao seu controle por meio de percepções incompletas e de pouca confiança.[2]

Para tal conclusão, segundo Manzini, o percurso intelectual se dá a partir do empirista inglês Thomas Hobbes, o qual desloca o prazer do amor ao bem supremo, que segundo o autor teria a máxima com São Tomás.[3] De forma que em Hobbes o sujeito é visto como uma máquina que atende as exigências do movimento vital, onde as experiências são qualificadas como boas ou ruins no coração e todo este movimento está direcionado para a autopreservação e tem o desejo como item primeiro no movimento vital.[4]

Porém é em Condillac, mais precisamente em sua obra O tratado das sensações, de 1754, que Manzini destaca a última inversão na lógica das paixões. Neste livro Condillac se utiliza da metáfora da estátua de mármore para explicar sua hipótese de que não é possível o conhecimento completo do objeto, mas somente o que pode ser apreendido pela sensibilidade. Desta maneira a constituição do sujeito, seu entendimento, se daria da mesma forma, pela metáfora da estátua de mármore.[5]

O que moveria, então, a máquina humana? Para Manzini, por meio da metáfora da estátua de mármore, Condillac coloca o prazer e o desprazer como motor que provoca o movimento vital. Como asseverou o próprio Condillac, “Mas a inquietude do desejo aumenta; chega um momento em que ele age com tanta violência, que só se encontra remédio no gozo: ele se transforma em paixão”.[6] Então se tem assim a possibilidade e a possível aceitação das teses sobre o sujeito freudiano, pois no decorrer do século XVIII houve um deslocamento do amor ao sumo bem, divino, para o prazer e desprazer como eixo norteador do ser humano. Mas então em que consiste o sujeito freudiano?

Freud em um artigo chamado Uma dificuldade no caminho da psicanálise (1917), que, segundo o prefácio da edição em português, inicialmente foi publicado no periódico húngaro Nyugat, Budapest, expõe as resistências às teorias psicanalíticas, sendo que a psicanálise é o terceiro golpe sobre o narcisismo humano. Os outros dois são a humilhação cosmológica e biológica. Estes três golpes também estão descritos no seu texto Conferências Introdutórias (1916-1917).

Freud antes de começar a discorrer sobre os três golpes começa seu texto apresentando suas descobertas advindas de sua prática analítica. Segundo Almeida, Freud habitualmente começa assim os textos onde apresenta uma nova interpretação de suas teses.[7] Então passa a explicar que a psicanálise se preocupa com o esclarecimento e eliminação de distúrbios nervosos, e o ponto de partida seria a vida instintual da mente, isto é, a teoria da libido. Popularmente se entende a fome e o amor como representantes instintivos, identificado na psicanálise como os instintos do ego e os instintos sexuais.[8] O instinto sexual, então chamado de libido, é considerado como algo análogo à vontade de poder. Na sequencia passa a demonstrar como por meio da prática analítica chegou à conclusão de que as neuroses são distúrbios específicos do instinto sexual, isto é, estão ligados ao desenvolvimento da função sexual no sujeito. As neuroses se dão, então, no conflito entre os instintos do ego e os instintos sexuais, de forma que elas são aquilo que parece ao ego um perigo à autopreservação ou auto-estima. Assim o ego toma posição defensiva e nega os instintos sexuais forçando-os a um caminho substitutivo que se manifesta como sintomas nervosos. Vale ressaltar que no período inicial da vida todo o instinto sexual do sujeito está ligado diretamente a ele próprio e somente mais tarde devido as grandes necessidades da libido que há o deslocamento da pessoa para outro objeto. Todavia é possível que a libido se desvincule do objeto e retorne para o ego.[9] Esta dinâmica Freud chamou de narcisismo, retomando o mito grego do jovem Narciso que, em uma de suas versões, ao ir matar a sede às margens de um riacho contempla a beleza de sua própria imagem, apaixonado por ela deixa de comer e beber cria raízes nas margens do riacho e transforma-se na flor que hoje tem seu nome.

Freud não é o primeiro a usar este mito para explicar as relações da psique humana, como pontua Roudinesco e Plon. O termo é usado pela primeira vez em 1887 pelo psicólogo francês Alfred Binet, para descrever o fetichismo onde a pessoa é seu próprio objeto de desejo sexual. Depois o termo é usado pro Havelock Ellis em 1898 para designar um comportamento perverso.[10] Na pena de Freud surge pela primeira vez em 1910, no texto Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância, referindo-se a prática homossexual,

O que de fato aconteceu foi um retorno ao auto-erotismo, pois os meninos que ele agora ama à medida que cresce, são, apenas, figuras substitutivas e lembranças de si próprio durante sua infância – meninos que ele ama da maneira que sua mãe o amava quando era ele uma criança. Encontram seus objetos de amor segundo o modelo do narcisismo, pois Narciso, segundo a lenda grega, era um jovem que preferia sua própria imagem a qualquer outra, e foi assim transformado na bela flor do mesmo nome.[11]

Em seu estudo sobre o caso Schreber em 1911, considerou o narcisismo como um estádio normal da evolução sexual. E em 1914, em Sobre o narcisismo: uma introdução considera o narcisismo como um conceito que ocupa um lugar essencial na teoria do desenvolvimento sexual no fenômeno libidinal.[12] Almeida explicando a importância deste conceito em psicanálise assevera que mesmo que o sujeito desenvolva o seu amor objetal sempre persistirá e permanecerá um resto de narcisismo, pois sempre um determinado teor libidinal permanecerá no ego.[13] Por isso a frase de Freud que resume sua nova teoria: “O ego é um grande reservatório, do qual flui a libido destinada aos objetos e para o qual regressa, vinda dos objetos”.[14] Para exemplificar Freud recorre ao narcisismo das crianças e o compara com o narcisismo do homem primitivo e sua crença na onipotência, crendo que por meio da técnica da magia poderia mover os acontecimentos do mundo exterior.[15] Mas em que consiste os três severos golpes por parte da ciência ao narcisismo da humanidade?

A primeira humilhação se deu pela teoria heliocêntrica do astrônomo polonês Nicolau Copérnico, considerado o fundador da astronomia moderna. Segundo as pesquisas desenvolvidas por Copérnico a terra não seria o centro do universo (geocentrismo), de forma que os astros circundam a terra, mas a terra sim estaria em movimento em torno do sol (heliocentrismo). Assim para Freud, o astrônomo polonês não teria somente destronado a terra do centro do universo, mas também mudado a visão do homem sobre si mesmo e sobre a existência em geral.[16]

A segunda humilhação ficou a cargo de Charles Darwin e sua obra Origem das espécies por via da seleção natural (1859). A questão trabalhada por Freud neste ponto é que mesmo o ser humano sabendo que não é o centro do universo, sabe pelo menos que possui sua origem no divino, criado a imagem e semelhança de Deus, por isso superior aos animais. Porém Darwin colocou um “fim a essa presunção por parte do homem. O homem não é um ser diferente dos animais, ou superior a eles; ele próprio tem ascendência animal”[17], como comenta Freud. E ainda lembra o fato de que as crianças não veem nenhuma diferença entre sua própria natureza e a dos animais, e de que o homem primitivo, por meio de seus mitos, recorre a sua ascendência ancestral animal.

Almeida comenta, e que vale ser acentuado neste momento, “a teoria darwiniana não colocou um termo em todos os problemas da biologia nem que ela tenha trazido uma chave apta a abrir as portas da metafísica para a solução de todos os enigmas do universo”[18]. Porém segundo Freud a teoria da seleção natural de Darwin implicou no segundo golpe ao amor próprio da humanidade.

O terceiro golpe, segundo Freud, é psicológico e o que mais fere. Seria o nascimento e desenvolvimento da psicanálise. Freud começa analisando a consciência, que estaria situada em algum lugar no núcleo do ego, ela tem por objetivo de dar ao ego notícias de tudo o que ocorre nas operações mentais, esta seria a forma do ser humano controlar seus impulsos e ações. Se os impulsos e ações estiverem em acordo harmônico com as exigências da consciência esta receberá sanção. Caso esteja em desacordo os impulsos e ações serão radicalmente inibidos ou afastados. Quando ocorre o contrário, isto é, se algum impulso ou ação vence a consciência o ego ordena e modifica os impulsos, impondo que seja o que for de estranho tenha vindo de fora.[19]

Porém como afirma Freud, o que aparece são as formas que os instintos, a atividade da própria mente, encontrou para vencer as resistências da consciência, “O resultado é que se rebelaram e assumiram suas próprias vias obscuras para escapar a essa supressão”.[20] Seriam estes os atos falhos, os chistes e “todos aqueles sintomas mediante os quais o corpo fala à maneira de um texto que deve ser decifrado, interpretado, analisado”.[21] Que Lacan sintetiza em uma entrevista revelando o que para ele seria a grande descoberta da psicanálise, “a descoberta da psicanálise é o homem como animal falante”.[22] E ainda,

O parlêtre é um modo de exprimir o inconsciente. O fato de que o homem é um animal que fala, que é bastante inesperado, o que é totalmente inexplicável, sei o que é, o que é fabricado com esta atividade da palavra é uma coisa que eu tento dar algumas luzes […].[23]

Esta teoria foi amplamente desenvolvida e explicitada em O ego e o id, de 1923. Nesta obra Freud chega á conclusão de que grande parte o ego é inconsciente, assim o que está em jogo no aparelho anímico é a dinâmica entre forças: o ego, sendo este o núcleo da harmonia do sujeito; o superego, a instância da censura e das interdições; e o id, o reservatório da libido que como polo pulsional entra em conflito com o ego e o superego.[24]

Desta forma Freud evidencia que o ego é um pobre ego, pois está dividido e oprimido pelas forças das pulsões, e procura, de maneira conciliatória, fazer as pazes entre o id e o superego. Por isso pode sintetizar numa máxima o que seria o sujeito para a psicanálise: “o ego não é senhor em sua casa”.[25] O sujeito freudiano seria então um ser, como afirmou Caropreso, “dividido, imerso num inevitável conflito entre forças pulsionais antagônicas, movido por impulsos que, em grande parte, escapam ao seu controle e conhecimento”.[26] Sobre este conflito pulsional que é o ser humano Lacan na mesma entrevista de 1974 asseverou,

Freud disse que a sexualidade para o animal falante que chamamos de homem não há cura nem esperança. Uma das atribuições do analista é encontrada nas palavras do paciente ligação entre a angústia e o sexo, o grande desconhecido.[27]

Tem se então um sujeito sem identidade e em constante conflito. O que segundo Simanke, possibilitou a Lacan concluir sobre o ser humano, na esteira de Freud, um verdadeiro anti-humanismo. Para Simanke, Lacan “sempre concebeu que a verdade do homem reside fora dele mesmo, seja nas identificações imaginárias que o alienam, seja na ordem simbólica que o transcende e determina, seja no real que necessariamente escapa”.[28] Por isso a máxima de Lacan, “é preciso ser verdadeiramente louco para ser humanista”.[29] Tendo o sujeito em psicanálise como pressuposto, passa-se a compreender o pai e sua função em psicanálise.

Pai: cultura, sociedade e religião

A paternidade em psicanálise é entendida a partir do princípio antropológico do pai que é demonstrado por Freud como essencial para a criança, seja o menino ou a menina, e se dá a partir do complexo de Édipo[30] e sua dissolução, garantindo a consolidação da masculinidade, no caráter de um menino e a feminilidade, no caráter da menina.[31] Impõem-se assim os limites ante o incesto, à sublimação e aos impulsos de afeição.[32] Cabe àquele que desempenha a função paterna demonstrar ao filho os limites, a ordem, o direito, o dever, a autoridade que valem em um grupo. O complexo de Édipo e sua dissolução abre caminho para três questões correlatas: a paternidade, a cultura e o religioso.

Quanto à paternidade, na perspectiva freudiana, não se limita ao biológico, trata-se de uma função, pois o que é conhecido como pai no Ocidente cristão pode ser tio ou avô em outras culturas,[33] como explicita J. Lacan, no Seminário de 1953: “não existe a questão do Édipo quando não existe o pai, e, inversamente, falar do Édipo é introduzir como essencial a função do pai”.[34] Assim, “Que é o pai? Não digo na família, porque na família, ele é tudo o que quiser […]. A questão toda é saber o que ele é no complexo de Édipo”[35].

Deste modo a função paterna está ligada diretamente a relação triangular filho-pai-mãe no complexo de Édipo, no qual o pai assume o papel de mediador entre o desejo inconsciente do filho pela mãe, agindo como aquele que interdita a relação incestuosa entre o filho e a figura da mãe. Para uma melhor compreensão do complexo de Édipo em Freud é preciso primeiramente abordar seu texto de 1913 Totem e tabu.[36]

Vale ressaltar que Totem e tabu juntamente com Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância e Moisés e o monoteísmo são as obras polêmicas de Freud e que foram, e ainda são, muito criticadas seja por especialistas em artes, história da religião e antropólogos. Mas como assevera Roudinesco e Plon estes três livros lançam desafios ao raciocínio cientifico e desta forma são basilares para pensar a arte, a religião e a sociedade.[37]

Em Totem e tabu, segundo Dor, Freud expõe o mito do pai primitivo por meio de análise antropológica com a finalidade de explicitar o surgimento da cultura.[38] Já para Roudinesco e Plon, Freud tem por objetivo dar o fundamento histórico ao complexo do Édipo, de forma que a história individual de cada ser humano nada mais é do que a repetição da história da própria humanidade.[39]

No prefácio da edição de 1913, Freud afirmou que sua intenção em escrever Totem e tabu, “Representam uma primeira tentativa de minha parte de aplicar o ponto de vista e as descobertas da psicanálise a alguns problemas não solucionados da psicologia social”.[40] De forma a contrastar com Wilhelm Wundt, a psicologia não analítica, e Carl Gustav Jung, que para explicar o indivíduo busca resposta na psicologia dos povos.

Seu livro se inscreve na tradição antropológica do século XIX, porém diferentemente do homem natural de Rousseau que em seu estado de natureza seria amoral, já o mito freudiano está embasado na concepção darwiniana de uma antropologia imoral.[41] Propondo uma digressão, para Roudinesco e Plon, dos mitos fundadores das religiões monoteístas, sendo o modelo comum do monoteísmo o totemismo, exogamia e a proibição do incesto.[42]

O mito está dividido em quatro partes sendo a primeira a do pai primitivo e violento que detém o poder sexual sobre todas as mulheres e por seu ciúme não permite que ninguém a não ser ele tenha relação com as mulheres da horda. Como afirmou Freud, “Tudo o que aí encontramos é um pai violento e ciumento que guarda todas as fêmeas para si próprio e expulsa os filhos à medida que crescem”.[43] Dor entende que desta forma o pai primitivo age como castrador de seus filhos, pois impõe exigências sexuais necessariamente limitadas.[44]

Na sequencia os filhos que são impossibilitados pelo pai de terem acesso as mulheres se unem em uma associação fraterna e assassinam o pai. Conforme Freud, “Certo dia, os irmãos que tinham sido expulsos retornaram juntos, mataram e devoraram o pai, colocando assim um fim à horda patriarcal.”[45] Para Dor a horda desenvolveu sentimentos de amor e ódio para com o pai e inevitavelmente o invejavam, já que ele detinha todas as mulheres.[46] O que pode ser verificado:

Selvagens canibais como eram, não é preciso dizer que não apenas matavam, mas também devoravam a vítima. O violento pai primevo fora sem dúvida o temido e invejado modelo de cada um do grupo de irmãos: e, pelo ato de devorá-lo, realizavam a identificação com ele, cada um deles adquirindo uma parte de sua força.[47]

A terceira parte se dá após o assassinato do pai, pois os filhos são tomados pelo sentimento de culpa e internalizam a lei do pai, uma exaltação ao pai morto, de forma a não se relacionarem com as mulheres de seu grupo, assim instituindo a interdição ao incesto. De forma que,

Após terem-se livrado dele, satisfeito o ódio e posto em prática os desejos de identificarem-se com ele, a afeição que todo esse tempo tinha sido recalcada estava fadada a fazer-se sentir e assim o fez sob a forma de remorso. Um sentimento de culpa surgiu, o qual, nesse caso, coincidia com o remorso sentido por todo o grupo. O pai morto tornou-se mais forte do que o fora vivo.[48]

É aqui que para Julien[49] se dá a demanda da dimensão paterna do imaginário remontando diretamente a ideia de Deus, um pai grande e onipotente que deve ser admirado e amado – o Pai ideal, o pai-totem para Roudinesco e Plon.[50] Quanto à paternidade no sentido religioso, Freud em seu texto de 1910, Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância, escreve que “a psicanálise tornou conhecida a íntima conexão existente entre o complexo do pai e a crença em Deus. fez nos ver que um Deus pessoal nada mais é, psicologicamente, do que uma exaltação do pai”[51] e acrescenta ainda que “o Deus todo-poderoso e justo e a Natureza bondosa aparecem-nos como magnas sublimações do pai e da mãe”.[52] Para F. Julien, Freud chega a esta conclusão por meio da experiência de um estado de desamparo que a pessoa passará em sua vida. Este estado se apresenta pelo primeiro trauma da existência humana diante das idas e vindas do pai e da mãe. Mais tarde por meio das intempéries da vida o sujeito sentirá saudades do pai, “não da mãe, mas daquele a quem se atribui a onipotência, ou seja, o Pai com maiúscula, o Pai divino”.[53]

A quarta parte do mito, para Dor, é a identificação dos filhos parricidas com os atributos da onipotência do pai tirano.[54] O que pode ser verificado em Psicologia de grupo e analise do Ego,

O menino nota que o pai se coloca em seu caminho, em relação à mãe. Sua identificação com eles assume então um colorido hostil e se identifica com o desejo de substituí-lo também em relação à mãe. A identificação, na verdade, é ambivalente desde o início; pode tornar-se expressão de ternura com tanta facilidade quanto um desejo do afastamento de alguém. Comporta-se como um derivado da primeira fase da organização da libido, da fase oral, em que o objeto que prezamos e pelo qual ansiamos é assimilado pela ingestão, sendo dessa maneira aniquilado como tal. [55]

Para Goldenberg esta identificação estaria relacionada com a inibição, pois como afirmou Freud de que a “força indestrutível da família como formação natural de grupo reside no fato de que essa pressuposição necessária do amor igual do pai pode ter uma aplicação real na família”.[56] Desta forma a inibição se daria não pelo medo da castração, mas pelo viés do medo de ser tomado como mulher do pai, assim a inibição estaria relacionada com o desejo, “O modelo de massa, então, é o de um conjunto de homens unidos pelo comum ‘amor pelo pai’, inibido no que tange à inaceitável passividade feminina na presença dele”.[57]

Desta forma tem-se a fundação, para Freud, da cultura e toda a organização social humana. Como afirmou Castro, a associação fraterna “proíbem a morte do totem e instauram o pai como uma figura simbólica, que pode ser tomada como a raiz da organização social”.[58] Assim a exaltação do pai morto e a interdição do incesto seriam para Freud “inevitavelmente aos dois desejos reprimidos do complexo de Édipo”.[59]

Freud reconhece no totemismo uma relação entre os animais e as crianças, “Desinibidas como são na admissão de suas necessidades corporais, sem dúvida sentem-se mais aparentadas com os animais do que com seus semelhantes mais velhos, que bem podem constituir um mistério para elas”.[60] Rudinesco e Plon entendem que para esta relação Freud recorreu diretamente para sua teoria da sexualidade infantil, o caso do Pequeno Hans, Análise de uma fobia em um menino de cinco anos.[61] O qual segundo Freud,

devemos reconhecer especialmente um resultado muito importante do exame ao qual o menino foi submetido por seu pai. Aprendemos qual foi a causa imediata que precipitou a irrupção da fobia. Ocorreu quando o menino viu cair um cavalo grande e pesado; e pelo menos uma das interpretações dessa impressão parece ser aquela à qual seu pai deu ênfase, ou seja, que Hans naquele momento percebeu um desejo de que seu pai caísse daquele mesmo modo… e morresse.[62]

Reconhecendo assim, segundo Roudinesco e Plon, a relação com o complexo de Édipo e o totemismo a partir das duas analogias: a identificação completa com o animal-totem e a ambivalência dos sentimentos em relação a ele.[63] Nas palavras de Freud, “Finalmente lhe perguntei se para ele o ‘preto em torno da boca’ significava um bigode; revelei-lhe então que ele tinha medo de seu pai, exatamente porque gostava muito de sua mãe”.[64]

Tendo a cultura como o desfecho do complexo de Édipo o pai assume a função de inserir e preparar o indivíduo para a sociedade, como afirmou Freud em O mal-estar na civilização, “a substituição do poder do indivíduo pelo poder de uma comunidade constitui o passo decisivo da civilização”.[65]

Por meio deste mito científico, como afirmou Freud, o pai não é mais o onipotente detentor das mulheres, mas possui sua imagem como o representante da lei. Novamente aqui percebe-se a relação entre o complexo de Édipo e sua relação com a religião. Por isso Lacan comentando o mito edípico e sua relação com a teologia afirmou: “Pois não basta agitar o fantoche da rivalidade sexual. E mais conviria ler nele o que, em suas coordenadas, Freud impõe à nossa reflexão, pois elas retornam à pergunta de onde ele mesmo partiu: que é um Pai? – É o Pai morto – responde Freud”.[66]

Deve-se lembrar o leitor, como já foi dito acima, o que está em jogo aqui é a função paterna e não necessariamente o pai enquanto homem, o genitor. Como asseverou Dor, o pai em psicanálise é um operador simbólico que não remete exclusivamente ao pai, mas ao que Lacan chamou de Nome-do-Pai.[67]

Nas palavras de Lacan:

Para que haja alguma coisa que faz com que a lei seja fundada no pai, é preciso haver o assassinato do pai. As duas coisas estão estreitamente ligadas – o pai como aquele que promulga a lei é o pai morto, isto é, o símbolo do pai. O pai morto é o Nome-do-Pai, que se constrói aí como conteúdo.[68]

De modo que para Dor a “função paterna conserva sua virtude simbólica inauguralmente estruturante na própria ausência de todo Pai real”.[69] Aqui cabe uma pergunta, como o pai real conseguirá assumir sua representação de pai simbólico? Para Dor isso se dá por meio do falo, “o papel simbólico do pai é sustentado, antes de mais nada, pela atribuição do objeto fálico”.[70]

Contribuição para a teologia

Em que a leitura psicanalítica pode ajudar a entender a realidade hoje? A psicanálise como contribuição para as ciências ligadas ao comportamento humano encontra-se em Z. Bauman, P. A. Bourdie, N. Elias, F. Guattari, J. Rancièri, C. Lasch, S. Zizek. Já para a teologia pode se evocar as palavras de Freud em carta 09.02.1909 endereçada a Pfister:

A psicanálise em si não é religiosa nem antirreligiosa, mas um instrumento apartidário do qual tanto o religioso como o laico poderão servir-se, desde que aconteça tão somente o serviço de libertação dos sofredores. Estou admirado de que eu mesmo não tenha me lembrado de quão grande auxílio o método psicanalítico pode fornecer à cura de almas, porém isto deve ter acontecido porque um mau herege como eu está distante dessa esfera de ideias.[71]

Assim pelas palavras do próprio criador da psicanálise pode-se identificar a utilidade da psicanálise para a teologia e de maneira especial para a teologia prática. Vale ressaltar também a relação conflituosa entre os dois campos de estudo que já fora confessado por Pfister em carta para Freud em 10.09.1926:

É muito doloroso para mim que os teólogos permaneçam atrasados e fracassem de modo tão lamentável. Há mais de 18 anos estou no trabalho. Os pedagogos têm aceitado muitas coisas e, de todos os lados, ouço que a análise vai ocupando cada vez mais o centro dos interesses. Os teólogos envolveram-se demais numa tola disputa por princípios, em vez de se preocuparem com o bem estar psíquico dos laicos – e o seu próprio.[72]

Morano comenta que este diálogo entre psicanálise e religião iniciado entre Freud e Pfister continua ainda hoje e se encontra em estado inacabado, e que somente por meio desta dialética do ouvir e questionar poderá se avançar em ambas as disciplinas e na relação entre elas.[73] Segundo Santos a psicanálise pode contribuir em muito para o aconselhamento pastoral na contemporaneidade por meio da escuta psicanalítica.[74] E segundo Wondracek a psicanálise contribui, ainda, não só para a teologia prática, mas também para a sistemática no que se refere a profundidade da alienação na dimensão da existência, contribuindo para a compreensão do conceito de pecado e miséria humana.[75] E propõe em Tillich um encontro entre filosofia existencial e psicanálise, de forma que neste teólogo pode-se encontrar as contribuições da psicanálise para a teologia e da teologia para a psicanálise.[76]

Interessante é a importância que Paul Tillich dá a psicanálise e sua relação com a religião, nas palavras do teólogo: “Penso que hoje não é possível desenvolver uma doutrina cristã da pessoa sem utilizar o imenso material que a psicologia profunda trouxe à luz”.[77] De modo que no segundo volume de sua sistemática assevera que a psicanálise contribui para o resgate de termos como “pecado” e “juízo” e, recorre a Freud e seu conceito de libido para explicar a profunda alienação humana, levando o conceito freudiano a sua condição existencial.[78] E em Dinâmica da fé retoma os conceitos psicanalíticos, a fé real depreende de todo o ser, isto é do consciente e inconsciente, e faz uso do ego e superego para lançar luz sobre a fé real, “Mas a fé real consegue vestir-se da imagem paterna [..]. Em todos os casos, fé e cultura só podem ser mantidos, se o super-ego encarnar normas e princípios objetivos do ser (Sein)”.[79] A relação entre teologia sistemática e a contribuição a psicanálise será melhor desenvolvida em capítulo posterior.

E para finalizar a resposta a questão inicial pode-se recorrer a entrevista dada por Lacan em 29.10.1974 à Agence Central de Presse de Paris, quando inquirido pela repórter se a religião triunfaria sobre a psicanálise, sua resposta:

Sim. Não triunfará apenas sobre a psicanálise, triunfará sobre muitas outras coisas também. É inclusive impossível imaginar quão poderosa é a religião. Falei há pouco do real. O real, por pouco que a ciência aí se meta, vai se estender, e a religião terá então muito mais razões ainda para apaziguar os corações.[80]

NOTAS

[1] SOUZA, José Neivaldo de. Imagem humana à semelhança de Deus: proposta de antropologia teológica. São Paulo: Paulinas, 2010, p. 116.

[2] FREUD, Sigmund. Uma dificuldade no caminho da psicanálise (1917). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 88.

[3] MANZINI, Luiz Roberto. Desejo e prazer na Idade Moderna. Curitiba: Champagnat, 2011, p. 76.

[4] HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 46.

[5] MANZINI, 2011, p. 193.

[6] CONDILLAC, Étienne Bonnot de. Traité de sensations. Librairie Arthème Fayard, Paris, 1984, p. 40.

[7] ALMEIDA, Rogério Miranda de. A fragmentação da cultura e o fim do sujeito. São Paulo: Edições Loyola, 2012, p. 316.

[8] FREUD, 1996 (1917), p. 85.

[9] FREUD, 1996 (1917), p. 85 – 86.

[10] ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 530.

[11] FREUD, Sigmund. Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância (1910). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 61.

[12] FREUD, Sigmund. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 44.

[13] ALMEIDA, 2012, p. 318.

[14] FREUD, 1996 (1917), p. 87.

[15] FREUD, 1996 (1917), p. 87.

[16] FREUD, 1996 (1917), p. 87.

[17] FREUD, 1996 (1917), p. 88.

[18] ALMEIDA, 2012, p. 324.

[19] FREUD, 1996 (1917), p. 88 – 89.

[20] FREUD, 1996 (1917), p. 89.

[21] ALMEIDA, 2012, p. 125.

[22] LACAN, Jacques. Freud per sempre. Colloquio con Emilia Granzotto. Publicado en la revista Panorama de Roma – Italia, 21 noviembre de 1974, pp. 159 sg.

[23] LACAN, Jacques. La troisième. VIIème Congrès del’ École freudienne de Paris. Rome: 31, octobre – 3 novembre, 1974, p. 12.

[24] FREUD, Sigmund. O ego e o id (1923). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

[25] FREUD, 1996 (1917), p. 90.

[26] CAROPRESO, Fátima. Freud e a natureza humana: um equilíbrio precário entre forças conflitantes. In: SGANZERLA, Anor; VALVERDE, Antonio José Romera; FALABRETTI, Ericson (Org.). Natureza humana em movimento: ensaios de antropologia filosófica. São Paulo: Paulinas, 2012, p. 205.

[27] LACAN, 1974, p. 168.

[28] SIMANKE, Richard Thiesen. Lacan: o homem louco que fala. In: SGANZERLA, Anor; VALVERDE, Antonio José Romera; FALABRETTI, Ericson. Natureza humana em movimento: ensaios de antropologia filosófica. São Paulo: Paulus, 2012, p. 300.

[29] LACAN, Jacques. La psychanalyse dans as référence au rapport sexuel. Lacan in Italia (1953-1978). Milão: La Salamandra, 1978, p. 66.

[30] O complexo de Édipo é a representação inconsciente pela qual se exprime o desejo sexual ou amoroso da criança pelo genitor do sexo oposto e sua hostilidade para com o genitor do mesmo sexo. Essa representação pode inverter-se e exprimir o amor pelo genitor do mesmo sexo e o ódio pelo do sexo oposto. Chama-se Édipo à primeira representação, Édipo invertido à segunda, e Édipo completo à mescla das duas. O complexo de Édipo aparece entre os 3 e os 5 anos. Seu declínio marca a entrada num período chamado de latência, e sua resolução após a puberdade concretiza-se num novo tipo de escolha de objeto. Na história da psicanálise, a palavra Édipo acabou substituindo a expressão complexo de Édipo. Nesse sentido, o Édipo designa, ao mesmo tempo, o complexo definido por Freud e o mito fundador sobre o qual repousa a doutrina psicanalítica como elucidação das relações do ser humano com suas origens e sua genealogia familiar e histórica. Édipo Rei é a tragédia de Sófocles que transforma a vida do rei de Tebas num paradigma do destino humano, e depois, com o complexo inventado por Freud, que relaciona o destino com uma determinação psíquica vinda do inconsciente. Veja: ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 166.

[31] FREUD, Sigmund. O Ego e o Id (1923). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 45.

[32] FREUD, Sigmund. A Dissolução do Complexo de Édipo (1924). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 196.

[33] DUNKER, C. I. L. Autoridade e Alteridade. Interações (Universidade São Marcos). , v.I, 1998, p. 2.

[34] LACAN, J. O seminário livro 5: as formações do inconsciente (1958). Rio de Janeiro: Zahar, 1990, p. 171.

[35] LACAN, 1990 (1958), p. 180.

[36] FREUD, Sigmund. Totem e tabu (1913). Rio de Janeiro: Imago, 1996.

[37] ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 756.

[38] DOR, Joel. O pai e sua função em psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p. 19.

[39] ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 757.

[40] FREUD, 1996 (1913), p. 5.

[41] DOR, 2011, p. 27.

[42] ROUDINESCO; Plon, 1988, p. 758.

[43] FREUD, 1996 (1913), p. 102.

[44] DOR, 2011, p. 27.

[45] FREUD, 1996 (1913), p. 102.

[46] DOR, 2011, p. 34.

[47] FREUD, 1996 (1913), p. 103.

[48] FREUD, 1996 (1913), p. 103.

[49] JULIEN, 2010, p. 50.

[50] ROUDINESCO, 1998, p. 758.

[51] FREUD, Sigmund. Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância (1910). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 74.

[52] FREUD, 1996 (1910), p. 74.

[53] JULIEN, 2010, p. 15.

[54] DOR, 2011, p. 35.

[55] FREUD, Sigmund. Psicologia de grupo e análise do Ego (1921). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 66.

[56] FREUD, 1996 (1921), p. 78.

[57] GOLDENBERG, Ricardo. Psicologia das massas e análise do eu: solidão e multidão. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014, p. 85.

[58] CASTRO, T. E. O Pai, a Psicanálise e a Mitologia: um estudo sobre a função paterna e suas configurações no mundo contemporâneo. 2010. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências e Letras de Assis – Universidade Estadual Paulista, Assis, p. 24.

[59] FREUD, 1996 (1913), p. 147.

[60] FREUD, 1996 (1913), p. 132.

[61] ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 758.

[62] FREUD, Sigmund. Análise de uma fobia em um menino de cinco anos (1909). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 53.

[63] ROUDINESCO; PLON, 1998, p. 758.

[64] FREUD, 1996 (1909), p. 45.

[65] FREDU, Sigmund. O mal-estar na civilização (1930). Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 101.

[66] LACAN, J. Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 827.

[67] DOR, 2011, p. 12.

[68] LACAN, 1990 (1958), p. 152.

[69] DOR, 2011, p. 18.

[70] DOR, 2011, p. 19.

[71] FREUD, Sigmund. Cartas entre Freud & Pfister (1909 – 1939): um diálogo entre psicanálise e fé cristã. Viçosa: Ultimato, 2009, p. 25.

[72] FREUD, 2008 (1909 – 1039), p. 136.

[73] MORANO, Carlos Domínguez. Psicanálise e religião: um diálogo interminável. São Paulo: Edições Loyola, 2008, p. 235.

[74] SANTOS, Francisco de Assis dos. É possível a psicanálise ao aconselhamento religioso?. 2000. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Teologia, programa de Pós-Graduação, São Leopoldo.

[75] WONDRACEK, Karin Hellen Kepler. A teologia de Tillich e a psicanálise. Revista Eletrênica Correlatio, n. 6 – Novembro de 2004, p. 104.

[76] WONDRACEK, 2004, p. 107.

[77] TILLICH, Paul. Begegnungen. Paul Tillich über sich selbst und andere. [Hrsg. von Renate Albrecht]. Berlin Evang. Verlagswerk, 1971. 407 S. Leinen. Schutzumschl, p. 74.

[78] TILLICH, Paul. Teologia Sistemática. São Paulo: Edições Paulinas; São Leopoldo: Editora Sinodal, 1987, p. 265 – 286.

[79] TILLICH, Paul. Dinâmica da fé. São Leopoldo: Editora Sinodal, 1985, p. 8 – 9.

[80] LACAN, Jacques. O triunfo da religião precedido de discursos aos católicos (1953 – 1974). Rio de Janeiro: Zahar, 2005, p. 64.

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