A pesquisa do Jesus histórico

Posted by Djesniel Krause in APOLOGÉTICA

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Por Djesniel Krause

A pesquisa do Jesus histórico é um tema interessantíssimo para a teologia cristã, principalmente quando considerados os desafios impostos pela secularização das universidades, e a islamização do ocidente.

Conforme acertadamente destaca Marcus Borg, “O Jesus histórico é um assunto interessante por várias razões. E uma delas é sua elevada importância cultural nestes dois mil anos desde sua morte. Nenhuma personagem na história do Ocidente jamais recebeu posição tão elevada”[1].

De acordo com Segalla, “A questão do Jesus histórico, na realidade, é tão antiga quanto são antigos os evangelhos, e não apenas os canônicos mas também os apócrifos, escritos cerca de um século depois, no século II ou no século III, que pretendiam completar ou substituir os primeiros”[2]. (grifo do autor)

Porém a assim chamada Busca do Jesus histórico tem sua origem no século XIX e tem se desenvolvido desde então.

Craig Evans, professor de Novo Testamento no Acadia Divinity College discorre com precisão sobre o desenvolvimento da pesquisa do Jesus histórico:

A antiga “Busca do Jesus Histórico” (às vezes, denominada “busca do século 19”), foi lançada quando acadêmicos começaram a questionar as intenções de Jesus. Os escritos de Hermann Samuel Reimarus, publicações póstumas (1774-1778), defendiam que Jesus tentara se estabelecer como rei político terrestre de Israel. A tese provocante levou a novas leituras críticas dos Evangelhos. As reviravoltas da antiga “Busca” foram comentadas e avaliadas com eloquência por Albert Schweitzer, com o que se tornou, ele mesmo, um clássico: The Quest for the Historical Jesus. O surgimento da crítica formal nos anos de 1920, cujos primeiros praticantes pensavam que grande parte do material dos evangelhos não fosse derivada de Jesus, mas tivesse origem na igreja, levou muitos a abandonar tal Busca; foi considerada historicamente impossível – e teologicamente ilegítima, conforme alguns teólogos. Mas uma Nova Busca, procurando encontrar a ligação entre o Jesus histórico e o “Cristo da fé”, foi iniciada na década de 1950; depois ainda, na década de 1980, veio outra fase, agora chamada de “Terceira Busca”[3]. (grifo do autor)

Sobre a primeira busca, H. Wayne House comenta que “a primeira busca tentava encontrar evidências nos evangelhos que confirmassem o conhecimento do Jesus histórico”[4].

Já a segunda busca do Jesus histórico, de acordo com o mesmo autor, “teve início com a publicação do ensaio de Ernst Käsemann (1906-1998), aluno de Rudolf Bultmann, ‘The Problem of the Historical Jesus’ [‘O problema do Jesus histórico’], em 1954”[5].

E esta, por sua vez “aceitava a distância inseparável entre fé e história, não estava interessada em confirmar o Jesus histórico; ao contrário, focava no Cristo querigmático, o Cristo pregado pela igreja”[6].

Isto causou uma desvalorização da factualidade de eventos centrais do cristianismo, como a ressurreição de Jesus, ou mesmo a sua existência histórica, Alister McGrath comenta:

O conteúdo cristológico da proclamação cristã é minimizado nos escritos de Rudolf Bultmann, Gerhard Ebeling e, especialmente, Paul Tillich. A teologia de Tillich tem base tão liberal no que se refere à figura de Jesus, que Tillich pode dispensar a existência e a personalidade histórica de Cristo sem que isso faça qualquer diferença em sua teologia[7].

Já sobre a terceira busca, Hayne House afirma:

A metodologia da terceira busca foi muito mais aperfeiçoada que a das duas anteriores. Agora, os estudiosos, usando técnicas modernas de pesquisa envolvendo um amplo cruzamento de disciplinas, buscam ligar Jesus de novo a seu cenário histórico[8].

Os evangelhos passaram a serem considerados como fontes de informação relevantes sobre a figura histórica de Jesus.

O estudioso agnóstico Bart Ehrmann, por um exemplo, afirma que “O fato de seus livros terem se transformado posteriormente em documentos de fé não tem relação nenhuma com a validade deles como fontes históricas. Retirar os Evangelhos do registro histórico não é nem justo nem academicamente aceitável”[9].

Vê-se, com isto, uma grande oportunidade para os apologistas cristãos, que podem, assim, argumentar e demonstrar a historicidade da ressurreição de Jesus, com base em evidências históricas tais como o sepulcro vazio, as aparições de Jesus após a sua morte e a origem da fé cristã.

William Lane Craig, um dos principais apologistas contemporâneos reflete sobre as oportunidades apologéticas que a terceira busca representa, sem suas palavras:

A crítica bíblica está empreendendo uma nova busca do Jesus histórico que trata os evangelhos seriamente como fontes históricas valiosas para a vida de Jesus e tem confirmado as linhas principais do retrato de Jesus pintado nos Evangelhos. Estamos bem situados intelectualmente para ajudar a reformular a nossa cultura de maneira tal a recuperar o terreno perdido, para que o evangelho possa ser ouvido como uma opção viável para pessoas pensantes. Imensas portas de oportunidades estão abertas agora diante de nós[10].

Assim, estimula-se que os cristãos se engajem de forma comprometida na pesquisa histórica acerca o mundo da Palestina do século I, e utilizem de tais conhecimentos para o convencimento dos não cristãos, de que Jesus Cristo de fato foi crucificado, de fato foi sepultado e de fato ressuscitou dentre os mortos, para a redenção de nossos pecados.

REFERÊNCIAS

CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: a veracidade da fé cristã. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2012.

EHRMAN, Bart D. Jesus existiu ou não? Rio de Janeiro: Agir, 2014.

EVANS, Craig. O Jesus fabricado: como os acadêmicos atuais distorcem o evangelho. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

HOUSE, H. Wayne. O Jesus que nunca existiu. São Paulo: Hagnos, 2009.

SEGALLA, Giuseppe. A pesquisa do Jesus histórico. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

NOTAS:

[1] BORG, Marcus. apud HOUSE, H. Wayne. O Jesus que nunca existiu. São Paulo: Hagnos, 2009, p. 24.

[2] SEGALLA, Giuseppe. A pesquisa do Jesus histórico. São Paulo: Edições Loyola, 2013, p. 18.

[3] EVANS, Craig. O Jesus fabricado: como os acadêmicos atuais distorcem o evangelho. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 205.

[4] HOUSE, 2009, p. 192.

[5] HOUSE, 2009, p. 191.

[6] HOUSE, 2009, p. 192.

[7] MCGRATH, Alister. Paixão pela verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, p. 42.

[8] HOUSE, 2009, p. 200.

[9] EHRMAN, Bart D. Jesus existiu ou não? Rio de Janeiro: Agir, 2014, p. 79.

[10] CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: a veracidade da fé cristã. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2012, p. 17-18.

 

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